Madeirense vinga na Noruega

Vítor Aguiar é o ‘embaixador’ da semana na D7

06 Mar 2019 / 10:00 H.

O sucesso serve-se frio. Na edição desta semana da D7 demos a conhecer Vítor Aguiar, um jovem madeirense que partiu para a Noruega em busca de novas e melhores oportunidades.

Aos 27 anos, Vítor Aguiar é director de comidas, bebidas e conferências num hotel que pertence a uma das maiores companhias da Escandinávia.

A história pelas ‘terras do bacalhau’ começou a ser escrita na Madeira, quando Vítor Aguiar frequentava o curso Técnicas profissionais de Restaurante e Bar, na Escola Profissional de Hotelaria e Turismo da Madeira, entre os anos de 2006 e 2009. Nessa época, aquando do primeiro estágio que realizou, conheceu uma família norueguesa, proprietária de hotel na Noruega, mais precisamente na cidade de Sogndal, que o convidou para trabalhar nesse estabelecimento.

Explicou que, inicialmentem, por receio da mudança, recusou a oferta, mas manteve sempre o contacto com essa família.

Depois de finalizar o curso começou a trabalhar em vários grupos hoteleiros da Região. Explica que trabalhava mais de 12 horas por dias, pois tinha vários ‘part-times’. No entanto, a recompensa não era a que ambicionava e os sonhos não se estavam a realizar. Eis que decidiu aceitar o convite e partir à descoberta do desconhecido.

Vítor Aguiar contou que a sua “aventura” na Noruega começou a 11 de Janeiro de 2011, dia em que chegou à cidade de Sogndal, com apenas 19 anos. Este jovem partiu em busca de algo mais e na sua bagagem, explica, levava “muitos sonhos”.

No entanto, a mudança não foi muito fácil. À chegada à Noruega deparou-se com um dos invernos mais rigorosos que atingira o país. A temperatura era de 15 graus negativos e as ruas estavam cobertas com quase 2 metros de altura de neve.

Depois de 3 anos como empregado de mesa no Quality Hotel Sogndal, alcançou a posição de chefe de restaurantes, ficando assim responsável por operar os 3 três restaurantes do hotel.

“Em Abril de 2017 achei que era altura de mudanças e novos desafios, e mudei-me para Bergen, a segunda maior cidade da Noruega”, contou Vítor Aguiar.

“Aí, trabalhei durante um ano num hotel como chefe de sala e mais tarde tive a oportunidade de mudar para o hotel onde trabalho actualmente, o Comfort Hotel Bergen Airport”, acrescentou.

O hotel para o qual trabalha neste momento faz parte uma das maiores companhias de hoteleiras da Escandinávia, com cerca de 200 hotéis.

Durante os primeiros tempos nesse hotel desempenhou a função de chefe de sala, mas em apenas quatro meses, tornou-se em director de Comidas, Bebidas e Conferências.

Ajudar o próximo faz parte do sucesso

Mas o sucesso profissional não bastou para este jovem ambicioso, é certo, pois pensa sempre em ajudar o próximo.

Assim surgiu um novo desafio, o de criar um projecto que ajudasse as pessoas que diariamente procuram trabalho junto do hotel, mas que devido ao seu passado não são seleccionadas, seja por terem problemas com a toxicodependência, ou por serem emigrantes ou refugiados que não dominem a língua norueguesa e que não tenha experiência na área.

Depois de aprovação do director do hotel começou por contactar a NAV (equivalente ao centro de segurança social e desemprego) e o Centro de Introdução para Refugiados em Bergen, onde apresentou o projecto e contou com uma resposta positiva das entidades, que se disponibilizaram em ajudar.

O curso decorre durante três dias, durante oito horas. No final, o candidato faz um derradeiro teste, que passa por servir um cliente, onde apresenta a ementa, abre uma garrafa de vinho e o serve usando diferentes técnicas de serviço.

No final são seleccionados os melhores, que iniciam um estágio de dois meses, com vista a, no futuro, terem a possibilidade de assinar um contrato de trabalho no hotel.

O curso tem recebido muito elogios por parte de diferentes entidades em Bergen, bem como os ‘media’ locais.

O sucesso desta iniciativa foi tanto que, actualmente, Vítor Aguiar desloca-se a várias regiões para participar em palestras nos centros de desemprego.

Quanto ao regressar à Madeira, o jovem apontou que possivelmente só para férias e possivelmente só lá para a reforma, destacando “que o tempo na Região é melhor para os ossos”.