“Green Book - Um guia para a vida” vence o Óscar de melhor filme

24 Fev 2019 / 05:41 H.

O Óscar de melhor filme foi hoje entregue a “Green Book - Um guia para a vida”, na 91.ª edição dos prémios da Academia das Artes e Ciências Cinematográficas, dos Estados Unidos.

O filme dirigido por Peter Farrelly, que partira com seis nomeações, acabou por conquistar três Óscares, entre os principais - melhor argumento original, melhor ator secundário, Mahershala Ali, e melhor filme -, deixando para trás as nomeações para melhor montagem, montagem de som e melhor ator, Viggo Mortensen.

“Green Book”, uma comédia dramática que segue a viagem de um pianista negro, com o seu motorista branco, pelo sul segregacionista dos Estados Unidos, em 1962, já conquistara o Prémio do Público do festival de Toronto, fora considerado o melhor filme de 2018 pelo National Board of Review, e conquistara três Globos de Ouro, entre os quais o de melhor filme de comédia, entre outros galardões.

“Bohemian Rhapsody”, com quatro Óscares conquistados - melhor ator, Rami Malek, melhor montagem, montagem de som e mistura de som - conseguiu reunir o maior número de Óscares desta edição, numa competição que, à partida, tinha como favoritos os filmes “Roma”, de Alfonso Cuarón, e “A favorita”, de Yorgos Lanthimos, com as suas dez nomeações, entre as quais as de melhor filme e melhor realização.

“Roma” conseguiu três Óscares, entre as categorias principais: melhor realização, melhor filme estrangeiro e melhor fotografia.

“A favorita” acabou por sair com um Óscar, para o desempenho da atriz britânica Olivia Colman, como protagonista.

“Black Panther”, uma produção da Marvel dirigida por Ryan Coogler, conseguiu igualmente três Óscares, dos seis para os quais estava nomeado: melhor banda sonora, melhor guarda-roupa e melhor direção de arte/cenografia.

A 91.ª edição dos Óscares teve várias estreias nas nomeações e vitórias, incluindo a primeira mulher afro-americana e a primeira mulher europeia a serem nomeadas para duas categorias técnicas, direção de arte e montagem de som.

Hannah Beachler foi a primeira afro-americana a vencer o Óscar para melhor direção de arte (cenografia), com o filme “Black Panther”, em conjunto com Jay Hart.

A vencedora, que fez um discurso muito emotivo ao receber o prémio, disse nas entrevistas de bastidores que caiu de joelhos e chorou, no dia em que viu o primeiro cenário montado.

“Não deixem que ninguém vos diga que não conseguem fazer este trabalho”, afirmou Beachler.

Pelo filme “Bohemian Rhapsody”, Nina Hartsone foi a primeira mulher europeia a ser nomeada nesta categoria e a vencer o Óscar de melhor montagem de som, prémio que partilhou com John Warhurst.

“A indústria cinematográfica é difícil, é preciso trabalhar muito para perseverar”, disse a britânica, no encontro com jornalistas. “É preciso colaborar e tentar aprender o máximo que for possível para subir na carreira”, elaborou.

“BlacKkKlansman - O infiltrado”, de Spike Lee, distinguido pelo melhor argumento adaptado. O realizador fez um apelo ao voto, nas eleições nos Estados Unidos, “fazer o que está certo” (”Do the right thing”/”Não dês bronca”), usando o título do seu filme de 1989, como argumento.

“Homem-Aranha: No Universo Aranha”, melhor filme de animação, “Bao”, melhor curta-metragem de animação, “Vice”, vencedor da melhor caracterização, e “O primeiro homem na Lua”, distinguido pelos efeitos visuais, foram outros dos premiados. “Assim nasce uma estrela” conseguiu o Óscar de melhor canção.

O Óscar de melhor documentário foi para “Free Solo”, de Jimmy Chin e Elizabeth Chai Vasarhelyi, produzido pela National Geographic, que conta os portugueses Joana Niza Braga e Nuno Bento, na equipa de som.

Os criadores de “Free Solo” disseram à Lusa que escolheram os técnicos portugueses para fazerem os efeitos sonoros, devido ao “talento maravilhoso” que descobriram em Portugal.

A Loudness Films, sediada em Lisboa, foi responsável pelo trabalho de “foley”, que cria os sons impossíveis de captar nas filmagens.

“Free Solo” estreia-se a 17 de março no canal National Geographic e acompanha o alpinista norte-americano Alex Honnold numa escalada de 900 metros, sem cordas ou proteções, na parede de granito El Capitan, no Parque de Yosemite (Estados Unidos).

A entrega dos Óscares foi aberta por Regina King, distinguida como melhor atriz secundária pelo desempenho em “Se esta rua falasse”.

A 91.ª edição dos Óscares foi realizada no Dolby Theatre, em Hollywood, na noite de domingo (madrugada de segunda-feira, em Portugal), e transmitida em direto para 225 países.

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