Câmara do Funchal apoia Dançando com a Diferença com 45.400 euros

36.000 euros são para a produção ‘Safe’, sobre migração forçada, a estrear a 24 de Maio. 9.400 são para a reposição de ‘Doesdicon’ a 13 e 14 de Setembro

16 Abr 2019 / 13:31 H.

A Associação dos Amigos da Arte Inclusiva – Dançando com a Diferença vai receber 45.400 euros através de dois protocolos com a Câmara Municipal do Funchal, um no valor de 36.000 euros para o espectáculo ‘Safe’, com estreia no Teatro Municipal Baltazar Dias a 24 de Maio e nova apresentação no dia seguinte, e outro para a reposição da produção ‘Doesdicon’, apoiada com 9.400, e que será apresentada a 13 e 14 de Setembro, no arranque da próxima temporada artística desta casa. A assinatura do primeiro decorreu esta manhã.

‘Safe’ é um espectáculo de dança, música e vídeo sobre migrações forçadas, é a mais recente produção do Dançando com a Diferença e levará 70 pessoas a palco, a maioria sem experiência prévia. Com coreografia de Henrique Amoedo, com Telmo Ferreira e de Natércia Kuprian, tem direcção musical de Norberto Gonçalves da Cruz, direcção vocal de Lidiane Duailibi, coordenação de percussão de José Pereira e vídeo de Filipe Ferraz. É uma produção conjunta com a CMF.

Henrique Amoedo, o director artístico do Dançando com a Diferença, agradeceu a parceria e a possibilidade de poder falar “com toda a liberdade” da questão dos refugiados e das migrações forçadas. “Cada vez parece que isso está mais próximo e mais perto de todos nós”, disse, referindo o caso dos refugiados que atravessam o Mediterrâneo, mas também dos venezuelanos que chegam à Madeira e dos brasileiros que se mudam para a Europa.

‘Safe’ ganhou o nome dos botes onde os migrantes fazem a travessia do mediterrâneo. É um trabalho que faz a ligação a outros dois da companhia: ‘Grotox’ (2009) e ‘Endless’ (2012), dois trabalhos que abordam a dignidade humana e da falta dela. No ‘Grotox’, que vem de grotesco e de botox, brincavam com as questões estéticas, do bonito e do feio, do certo e do errado. ‘Endless’ fala do Holocausto como uma grande marca na humanidade. Quem deixa a sua terra para trás fá-lo com a ideia de que vai para algo melhor, e muitas vezes não é isso que encontra, alerta o coreógrafo brasileiro.

Num trabalho que é também autobiográfico, o grupo aborda a forma como são recebidos, onde falha, mas também onde é bom. “A gente não quer ficar só no que não é bom, mas também falar dos encontro, dos sonhos e falar de uma forma geral de tudo isso”.

Paulo Cafôfo destacou o contributo do grupo de dança inclusiva ao longo dos anos. “Tem feito a diferença não só no potenciar as capacidades de muitas das pessoas que sobem ao palco, mas também o desconstruir de determinados preconceitos”. Ao juntar pessoas com e sem deficiência no palco faz mais do que dança. “É uma abertura de mentalidades e um pontenciar das capacidades humanas de todos nós, este é um projecto conjunto. É por isso que nós acreditamos neste grupo”, disse Paulo Cafôfo, certo de que ‘Safe’ será “tocante, será emocionante” e apela à participação de todos. “É uma questão que diz respeito a todos”, disse.

O protocolo inclui ainda apoio a nível da comunicação. Os 36.000 para ‘Safe’ fazem parte da presente temporada, os 9.400 para a reposição de ‘Doesdicon’ entram como apoio da próxima. ‘Doesdicon’ estreou em Viseu, no Teatro Viriato. Foi apresentado no MUDAS – Museu de Arte Contemporânea da Madeira em Junho de 2017.

Telmo Ferreira, presidente, e Natércia Kuprian, vogal, representaram a associação na assinatura do protocolo.

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