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A Madeira é mais do que paisagens

A Madeira tem tido, continuamente, sucesso no setor turístico, com prémios e crescimento continuado há diversos anos em quase todas as métricas relevantes. Este é o resultado da soma dos esforços de imensas pessoas, empresas privadas, do setor público e da atratividade natural da nossa ilha e acredito que esta seja uma das nossas maiores conquistas.

No entanto, cada vez são mais notórias as limitações físicas da Madeira para acomodar o seu crescimento. O espaço urbano é limitado, a população para trabalhar no setor também, e temos um diferencial temporal significativo entre o tempo em que os privados conseguem fazer crescer a oferta e a capacidade do setor público em redimensionar as infraestruturas públicas para o acomodar.

Continua a ser o motor principal da economia regional e deve continuar a crescer em valor. Sem proibir novas entradas no mercado, devemos, contudo, olhar para além do número de camas e do preço a que são vendidas, pois limitar o debate a essas métricas restringe o nosso potencial de crescimento no setor.

Turismo é toda uma cadeia de valor que acaba na venda de um quarto, não se resume a vender camas. Antes de o turista chegar à Madeira já alguém desenhou a campanha que o trouxe, já passou pelo sistema de reservas, por sistemas de pricing, e já lhe tinha sido sugerido dezenas de possíveis compras adicionais, desde o aluguer de um carro, à compra das mais variadas experiências no destino.

Somos líderes em várias áreas do turismo, mas temos de ambicionar o mesmo nível de excelência nos restantes pontos da cadeia de valor. Seja através da consultoria e do marketing turístico, seja através de serviços digitais e tecnológicos que outros operadores hoteleiros e destinos turísticos, noutras regiões, necessitam. A nossa experiência enquanto destino pode e deve transformar-se em conhecimento e serviços que podemos exportar.

Temos experiência numa diversidade de produtos turísticos, desde o turismo de natureza e aventura à náutica e de praia, passando pelo golfe, observação de cetáceos, e turismo de bem-estar. Existem diversos outros destinos a enfrentar os mesmos desafios que nós tivemos de ultrapassar para crescer, e podemos apresentar-lhes soluções viáveis.

Quando consideramos que é previsível que a maior parte dos setores de serviços passe por uma forte disrupção causada pela IA, este é o momento ideal para nos posicionarmos como parte da solução para outras geografias. Diversas funções serão otimizadas ou automatizadas e novas necessidades irão surgir. As empresas regionais que consigam operar na fronteira tecnológica do setor poderão estar perante uma oportunidade inestimável de se internacionalizarem.

Estes serviços podem ser prestados de forma maioritariamente remota, são pouco intensivos na utilização de espaço e têm um forte valor acrescentado. Isto permitiria uma mudança no perfil de contratação do setor e no seu padrão de remuneração, contribuindo para a retenção, ou o regresso, de muitos jovens madeirenses.