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Os jovens e as suas pensões futuras

Adiar a discussão desta realidade de não concretização de expetativas é errado

Nestes últimos tempos em que tanto se tem falado da Sustentabilidade da Segurança Social não é raro que esse tema seja parte da conversa com amigos. Assim aconteceu comigo e um jovem amigo que no meio da conversa afirmou que a sua geração estava a descontar para um sistema que sabia que não lhes iria dar nada de volta quando chegassem a idade de se reformarem. Tentei aprofundar o que ele me dizia e confirmou que estava convencido que não haveria pensões para ele, para os da sua geração e para as gerações mais novas. Este era o sentimento generalizado entre os seus amigos também.

É estranho ter-se generalizado esta ideia quando, que eu conheça, não existe nenhum estudo que preveja que a taxa de substituição seja inferior a 35% do último salário, sendo que a grande maioria dos estudos apresenta valores bastante acima dos 40%. Isto significa que não é verdade que não haja pensões para os mais jovens quando se reformarem.

Como é que se generalizou a ideia errada de não vir a haver pensões? Penso que a razão principal é o alarmismo que se tem colocado no envelhecimento demográfico, onde quase diariamente somos relembrados que há cada vez mais reformados por trabalhador, o que é um fator preocupante, mas como já tenho apresentado diversas vezes nesta coluna de opinião, esta é só parte da história porque esquece a evolução do que cada trabalhador produz e as novas formas de produção.

Atualmente a sustentabilidade do sistema é considerada como a possibilidade de as pensões serem pagas pelas contribuições dos trabalhadores. É o chamado sistema de repartição onde, por solidariedade intergeracional, a geração ativa financia a geração idosa, esperando que as novas gerações façam o mesmo por ela no futuro.

O problema da sustentabilidade não é, pois, um problema de não haver pensões no futuro, mas a impossibilidade de os trabalhadores conseguirem pagar os montantes que foram prometidos aos idosos quando eram jovens. Nessa altura os idosos que acreditaram nisso, afinal, vão ter uma vida muito mais difícil do que imaginavam.

Adiar a discussão desta realidade de não concretização de expetativas é errado e devemos recolher e divulgar toda a informação necessária para um debate profundo e fundamentado sobre o futuro a longo prazo; daqui a 40 anos pode parecer muito longínquo para um jovem, mas para quem foi jovem há 40 anos, o tempo passou depressa.

Termino com alguns temas para o debate:

Com a automatização da produção (uso de robôs e da Inteligência Artificial), essa produção não tem de contribuir para o pagamento das reformas?

Só serão os trabalhadores responsáveis pelo pagamento das pensões? Ou seja, que fontes alternativas pode ter o financiamento das pensões?

Quais os incentivos a dar aos trabalhadores e empresas para constituírem poupanças para complementarem no futuro as pensões da segurança social?