Inteligência artificial – Novidade? Bicho papão?
Há que saber usá-la sabiamente e com prudência, pois, pode também ser usada para potenciar a maldade humana
Esta semana tentaram vender-nos a ideia de que estão a promover inovação na economia madeirense, enchendo a boca com a promoção da “inteligência artificial” na nossa economia e na nossa sociedade. Vender-nos a ideia de que estamos na vanguarda é falso. Não é novidade. É apenas a evolução natural da utilização das potencialidades das novas tecnologias de informação no nosso dia-a-dia.
Quem tem espírito verdadeiramente empreendedor e é dedicado na sua profissão acompanha as evoluções que vão surgindo no mundo para melhorar o seu negócio e a qualidade do seu trabalho. E a “inteligência artificial” já existe há algum tempo.
A “inteligência artificial” também não é nenhum bicho papão. Apresenta vantagens. Há que saber usá-la sabiamente e com prudência, pois, pode também ser usada para potenciar a maldade humana.
É intrínseco da natureza humana ter dificuldade em lidar com a mudança. A mudança obriga-nos a deixar evoluir. A deixar para trás hábitos e a experienciar novas formas de trabalhar, obrigando-nos a maior prudência na utilização dos computadores.
Erro será imaginar que a inteligência artificial pode substituir a capacidade humana para pensar, imaginando que através dela podemos simplesmente carregar num botão para ter o trabalho feito. Vejo a inteligência artificial como uma ferramenta que irá facilitar o trabalho realizado, deixando-nos mais tempo para pensar.
Se for para seguir cegamente o que as máquinas nos dizem, que mais não é do que reflexo da programação de outros seres humanos para o desenvolvimento de aplicações informáticas, então não estamos a retirar vantagens desta evolução tecnológica. Estamos simplesmente a abrutalhar as pessoas.
Não podemos esquecer que a “inteligência artificial” não é mais do que a utilização de sistemas informáticos e máquinas para imitarem o trabalho humano, utilizando inclusive a metodologia do raciocínio humano perante determinados problemas na apresentação de soluções, selecionando e resumindo informação considerada pertinente sobre um assunto. Mas não dispensa pensar.
Utiliza algoritmos informáticos para a apresentação de informação. É preciso, por isso, preparar-nos para usar estas novas ferramentas com prudência.
Está mais do que provado que nas eleições americanas que elegeram Trump e no referendo do BREXIT foram usados algoritmos na utilização das redes sociais para a manipulação de informação e criação de conteúdos que levaram as pessoas a formar opinião sobre determinados assuntos que as influenciaram nas suas decisões de voto e conduziram aos resultados eleitorais obtidos. É outra questão a ter em conta nos próximos tempos. Torna-se, por isso, cada vez mais importante pensar sobre as coisas.
Pensar, segundo o Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa e o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa é “usar a mente para raciocinar, formar ideias, refletir sobre algo ou ter uma opinião”. E nisto, nenhuma aplicação informática é capaz de nos substituir.
Pensar é a atividade mais sublime do ser humano. As máquinas podem dar-nos a informação mais pertinente sobre um assunto. Podem executar na perfeição determinadas tarefas com a supervisão do ser humano que é único na capacidade de resolver problemas surgidos na imprevisibilidade de erros, ou circunstâncias.
Há riscos? Sim, há!
O que deveríamos estar preocupados é ensinar os jovens a raciocinar. A pensar. E a ensinar os atuais profissionais adultos a estarem atentos aos riscos na utilização das novas tecnologias e a perceberem eventuais manipulações de pensamento para preservarmos o que de melhor a humanidade tem.
Isto sim! Isto é pensar longe. É governar para o futuro, preparando todos para os desafios futuros.
Máquinas são capazes de reproduzir informação e conhecimento, mas não são capazes de pensar e desenvolver a criatividade. De ter novas ideias e produzir evoluções ainda nem previstas. Criatividade não existe só nas artes. Existe em todo o trabalho que fazemos.
Podemos sempre experimentar novas soluções e novas metodologias em todo o tipo de trabalho. Pode resultar. Como pode não resultar. Mas foi assim que a humanidade evoluiu.
Saber utilizar as evoluções que surgem para melhorarmos a nossa vida é a postura certa. Sem dogmas, mas com muita prudência, tendo em conta que nunca como agora, na era da informação, manipula-se e engana-se com facilidade. E lembrem-se que a maldade não tem limites.