Caracas volta a receber voos comerciais dois meses após terramoto
Principal aeroporto da Venezuela reabriu ao tráfego de passageiros depois de permanecer encerrado desde os sismos de 24 de Junho
O principal aeroporto da Venezuela voltou esta terça-feira a receber voos comerciais, mais de dois meses depois dos sismos que devastaram parte do país, provocaram mais de 6.500 mortos e obrigaram à suspensão das operações regulares em Caracas.
O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, retomou a actividade de passageiros com a partida de um voo da companhia venezuelana Conviasa para a Cidade do México. Pouco depois, um avião da Global Crossing aterrou naquela infraestrutura.
Situado no Estado de La Guaira, uma das zonas mais atingidas pela catástrofe de 24 de Junho, o aeroporto sofreu danos significativos, incluindo na pista principal, ficando desde então limitado essencialmente à recepção de voos humanitários.
Os voos de carga tinham sido retomados a 5 de Agosto, mas só agora regressaram as ligações comerciais de passageiros.
A operação está, contudo, longe da normalidade. Foram instalados quatro terminais provisórios em grandes tendas no exterior das estruturas danificadas, dois destinados às partidas e outros dois às chegadas.
Durante os últimos dois meses, grande parte do tráfego que normalmente passava por Caracas foi encaminhada para os aeroportos de Valencia, Maracay, Barquisimeto e Barcelona, infraestruturas de menor dimensão e sem capacidade para absorver, em condições normais, o volume gerado por Maiquetía.
Antes dos sismos, o aeroporto registava cerca de 112 movimentos comerciais por dia, entre 56 chegadas e outras tantas partidas.
Ligações internacionais começam a regressar
A reabertura permitirá também recuperar gradualmente algumas das principais ligações internacionais da Venezuela.
A Copa Airlines regressou já esta terça-feira a Caracas. A companhia panamiana operava a rota há quase três décadas e, antes do terramoto, realizava três voos diários.
A Iberia deverá retomar na quinta-feira a ligação entre Madrid e Caracas, inicialmente com três frequências semanais, enquanto a American Airlines prevê voltar no mesmo dia à rota entre Miami e a capital venezuelana.
Outras companhias deverão seguir-se nos próximos dias, à medida que forem sendo reunidas condições para aumentar a capacidade da infraestrutura.
A retoma acontece poucos meses depois de Estados Unidos e Venezuela terem restabelecido, em Abril, as ligações aéreas comerciais entre os dois países, interrompidas durante sete anos.
Apesar do regresso dos passageiros, Maiquetía continuará a operar de forma condicionada enquanto prosseguem os trabalhos de recuperação das instalações atingidas pelo terramoto.