Madeira juntou startups e investidores europeus para pensar futuro da saúde digital
InnoMedCatalyst Demo Day reuniu no Funchal dez startups de cinco países. Iniciativa encerra a segunda edição de um programa europeu de aceleração dedicado às áreas MedTech e HealthTech
Dez startups europeias ligadas à inovação na saúde apresentaram esta quinta-feira, no Funchal, soluções nas áreas da medicina de precisão, inteligência artificial, oncologia, saúde mental, diagnóstico clínico e monitorização de pacientes, durante o InnoMedCatalyst Demo Day – Madeira.
O encontro, realizado no Hotel NEXT e organizado localmente pela Startup Madeira, assinalou o encerramento da segunda edição do programa europeu de aceleração InnoMedCatalyst, que apoiou 27 startups, spin-offs e pequenas e médias empresas inovadoras nas áreas MedTech e HealthTech.
Carlos Lopes, da Startup Madeira, explicou, ao DIÁRIO, que o evento corresponde também à fase final de um projecto europeu que termina este ano e que envolve 13 parceiros de oito países. O consórcio trabalha sobretudo nas áreas da medicina de precisão e personalizada e das soluções digitais aplicadas à saúde.
"O que nós juntamos aqui é um conjunto de pessoas que vão pensar no sector da saúde e no futuro do sector da saúde", resumiu, destacando a presença de startups, mentores, investidores, hospitais, clusters, agências de inovação, aceleradoras e incubadoras.
As dez startups participantes, provenientes de Portugal, Espanha, Grécia, Polónia e Bulgária, tiveram oportunidade de apresentar os seus projectos perante um júri internacional constituído por investidores, gestores hospitalares e especialistas em inovação.
Para a Startup Madeira, a realização do segundo Demo Day na Região permite igualmente aproximar o ecossistema regional das redes europeias de inovação. "É isto que não podemos deixar passar, ou seja, aproveitar que estamos aqui em casa, a jogar em casa", afirmou Carlos Lopes, apontando a importância de a Madeira se posicionar para participar em futuras oportunidades financiadas pela União Europeia neste sector.
A passagem dos parceiros internacionais pela Região prolonga-se para além da conferência, com visitas previstas ao Centro de Simulação Clínica do SESARAM, ao novo Hospital Central e Universitário da Madeira e à empresa CoolZoone, além de um workshop dedicado à identificação de futuras oportunidades de colaboração.
A Startup Madeira integra o InnoMedCatalyst como incubadora e aceleradora, no âmbito do referido consórcio constituído por 13 entidades europeus e que pretende reforçar a capacidade de inovação regional nos ecossistemas de medicina de precisão e personalizada.
Startup criada por madeirense vence prémio
Entre as startups que subiram ao palco no Funchal esteve a MYCancer, que tem o madeirense Hugo Caires como mentor e um dos fundadores. A empresa foi a vencedora dos prémios atribuídos no InnoMedCatalyst Demo Day, numa cerimónia que contou com a presença da secretária regional de Saúde e Protecção Civil, Micaela Freitas.
Com apenas nove meses de existência, esta startup desenvolve uma plataforma baseada em "avatares biológicos", conforme explicou o seu mentor ao DIÁRIO. O objectivo é testar, fora do organismo do doente, a resposta das suas células a diferentes terapias oncológicas. O trabalho está inicialmente orientado para cancros do sangue, nomeadamente leucemias, mielomas e, futuramente, linfomas.
A ideia, explicou Hugo Caires, é conseguir perceber antecipadamente "qual é que mata efectivamente mais e melhor as células tumorais daquele doente em particular", disponibilizando depois essa informação ao médico para apoiar a decisão terapêutica.
A MYCancer nasceu depois de a equipa ter vencido uma categoria do EIT Jumpstarter, campeonato europeu de inovação, tendo optado por instalar a empresa na Madeira. Um projecto financiado pelo PRR permitiu igualmente avançar com a instalação do MYCancer Labs na Região.
Hugo Caires considera que programas europeus de aceleração como o InnoMedCatalyst são particularmente importantes para empresas sediadas numa região insular. "Possibilita também às empresas da Região que criem os contactos necessários para operar em rede" e ganhar capacidade para posteriormente "escalar a nível europeu", salientou.
Para o empreendedor madeirense, o mercado regional, apesar da sua pequena dimensão, pode funcionar como "uma boa base de validação", enquanto a ligação a parceiros e mentores internacionais permite preparar a tecnologia para ser validada em hospitais de diferentes países europeus.
"A Startup Madeira tem um papel fundamental, porque permite a todas as empresas da Região que se liguem a estes ecossistemas de inovação europeus", reforçou Hugo Caires, destacando ainda o acesso a novas redes de financiamento e conhecimento como factores importantes para tornar as empresas regionais mais competitivas e facilitar a entrada noutros mercados.