Madeira registou 228 mortes por suicídio em dez anos, alerta PS-Madeira
Socialistas assinalam o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio e voltam a defender a realização de um estudo epidemiológico sobre a saúde mental da população madeirense
A Madeira registou 228 mortes por suicídio e lesões autoprovocadas voluntariamente entre 2015 e 2024, uma média próxima de 23 por ano. Os dados são destacados pelo PS-Madeira num Voto de Saudação que já deu entrada na Assembleia Legislativa Regional por ocasião do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, assinalado esta quinta-feira, 10 de Setembro.
Dos 228 óbitos registados naquele período, 174 ocorreram em homens e 54 em mulheres, revelando uma incidência significativamente superior entre a população masculina.
Os números indicam ainda 31 mortes em 2020, 32 em 2021 e 27 em 2022. Em 2023 foram contabilizadas 16 e, em 2024, 17.
Para a deputada socialista Marta Freitas, estes dados reforçam a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre a saúde mental na Região, indo além dos indicadores de mortalidade.
“Os dados sobre mortalidade são fundamentais, e torna-se igualmente necessário conhecer a dimensão da depressão, da ansiedade, da ideação suicida, dos comportamentos autolesivos ou de outras situações de sofrimento psicológico”, sustenta.
PS volta a defender estudo sobre saúde mental
O PS-Madeira recupera, neste contexto, a proposta de realização de um estudo epidemiológico sobre a saúde mental e psicológica da população regional.
Os socialistas lembram que a Delegação Regional da Madeira da Ordem dos Psicólogos Portugueses também defendeu recentemente a realização de um estudo que permita identificar necessidades e factores de vulnerabilidade e fundamentar políticas públicas nesta área.
Marta Freitas recorda que o partido já tinha defendido a medida em 2024 e que, em Maio de 2025, apresentou uma proposta na Assembleia Legislativa que acabou rejeitada pelo PSD e CDS.
“A Ordem dos Psicólogos veio recentemente confirmar uma necessidade que o PS já tinha identificado. Em 2025 propusemos que se estudasse aprofundadamente a saúde mental dos madeirenses, mas PSD e CDS chumbaram a proposta”, afirma a deputada, questionando os motivos da rejeição.
Saudação aos profissionais
O Voto de Saudação apresentado pelos socialistas pretende igualmente reconhecer o trabalho desenvolvido pelos profissionais que intervêm na prevenção e acompanhamento de situações relacionadas com a saúde mental.
O PS destaca psicólogos, psiquiatras, pedopsiquiatras, enfermeiros especialistas em saúde mental, assistentes sociais e profissionais dos cuidados de saúde primários, bem como equipas comunitárias, escolas e outras instituições que trabalham na sinalização e acompanhamento de pessoas em sofrimento psicológico.
“São profissionais que todos os dias escutam, sinalizam, acompanham e intervêm junto de pessoas e famílias em momentos de grande vulnerabilidade”, sublinha Marta Freitas.
O partido defende ainda que a prevenção do suicídio não deve ficar limitada aos serviços de saúde, considerando fundamental o papel das famílias, escolas, locais de trabalho e comunidades no combate ao estigma, na identificação de sinais de sofrimento e na procura de ajuda.