Da agenda global à saúde no quotidiano
Com o objetivo de garantir que o bem saúde alcançasse cada vez mais cidadãos a Organização Mundial de Saúde (OMS) tem vindo a apresentar ao longo do tempo programas para reforçar o princípio de que a saúde é um direito humano fundamental, que permite reduzir as doenças e as assimetrias sociais, possibilitando que todos possam ter uma vida mais saudável e economicamente produtiva.
No final da década de setenta depois da elaboração da “Declaração de Alma Ata” foi lançado o programa “Saúde Para Todos no Ano 2000”, uma iniciativa global com várias atividades na Madeira que envolveram a participação de diversos profissionais do Serviço Regional de Saúde. As metas então traçadas procuravam levar os cuidados de saúde a todo o globo até ao ano dois mil. A implementação deste programa mudou definitivamente a prática da saúde pública a nível mundial, servindo de base para a criação de redes de cuidados de proximidade inspirando as políticas públicas de acesso universal a cuidados de saúde em diferentes países. No entanto, a meta não foi totalmente cumprida devido às sucessivas crises económicas, à persistência de conflitos e a instabilidades sociais.
No ano dois mil a (OMS) evoluiu para novas metas globais, reforçando a necessidade de melhoria contínua dos cuidados primários de saúde, acrescentando novos reptos, estabelecidos pela “Declaração do Milénio que incluíam uma forte dinâmica no combate global à pobreza, ao VIH/sida, a malária e a mortalidade materno/infantil.
Em 2015, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou a Agenda 2030, um roteiro ético para promover a sobrevivência e a dignidade das comunidades. Foram estabelecidos dezassete “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, que assentam num conjunto de premissas fundamentais: não é possível erradicar a pobreza, promover sociedades pacíficas, assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, alcançar a igualdade de género e estimular o crescimento económico sem populações saudáveis, instruídas e protegidas dos efeitos das alterações climáticas.
Na Região Autónoma da Madeira o Serviço Regional de Saúde encontra-se no centro nevrálgico desta equação, ancorado no terceiro objetivo o de “assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos e em todas as idades”. O serviço público de saúde institui-se assim como o instrumento capacitado para promover a consolidação da rede de cuidados primários de saúde, adotando medidas que melhorarem o acesso dos cidadãos aos cuidados de saúde.
Num sistema periférico, fustigado pela pressão demográfica, pelo aumento do envelhecimento populacional com patologias crónicas, é urgente investir na admissão de novos profissionais para o setor da saúde e valorizar o seu percurso profissional, garantindo estabilidade laboral e saúde física e mental para quem cuida. Apostar na qualidade e segurança do serviço de saúde para os madeirenses não é uma concessão orçamental é antes um investimento na retenção de talento e uma aposta no bem-estar e na humanização dos cuidados