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Hamas atribui lançamentos de papagaios para Israel a brincadeiras de crianças

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O grupo islamita Hamas alegou hoje que os papagaios chegados a Israel nos últimos dias provenientes da Faixa de Gaza são brinquedos feitos por crianças palestinianas, embora o Governo israelita os encare como uma ameaça militar.

Numa mensagem publicada nas redes sociais, o porta-voz do Hamas na Faixa de Gaza, Hazem Qasem, desvalorizou o incidente e o perigo que Israel vê nestes objetos para as comunidades fronteiriças, referindo que se trata de "brinquedos de crianças" do enclave palestiniano, "em busca da sua infância inocente no meio dos escombros".

As declarações do porta-voz do Hamas surgem após uma reunião do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, hoje mantida com o ministro da Defesa, Israel Katz, e altos elementos ligados à segurança de Israel, incluindo o chefe das forças armadas, Eyal Zamir.

Após a reunião, O Governo israelita ameaçou intensificar os ataques à Faixa de Gaza caso detete lançamentos de drones, balões e papagaios a partir do enclave, depois de quatro destes objetos voadores terem sido avistados nos últimos dias.

De acordo com fotos divulgadas por meios de comunicação social israelitas, os papagaios eram pequenos, feitos de materiais frágeis e não transportavam armas ou materiais perigosos.

Numa declaração conjunta, Netanyahu e Katz referem-se porém a "drones, balões e papagaios", que sugerem terem sido lançados da Faixa de Gaza para Israel com a cumplicidade do Hamas.

"Se os lançamentos em direção a Israel não cessarem imediatamente, as Forças de Defesa de Israel intensificarão os ataques direcionados contra os responsáveis", ameaçaram os dois governantes.

Além disso, Netanyahu e katz advertem que será também "retirada a população das áreas utilizadas como locais de lançamento de papagaios, drones e balões" para o território israelita.

Segundo o porta-voz do Hamas, Israel pretende utilizar os papagaios para "justificar a contínua agressão e as violações dos direitos humanos" contra o povo palestiniano, chegando ao ponto de "ameaçar crianças na Faixa de Gaza".

Nesse sentido, instou os Estados Unidos, os restantes países mediadores do conflito no território e o Conselho de Segurança da ONU a pressionarem Israel para que cesse esta "escalada de agressão" e deixe de violar o cessar-fogo acordado desde outubro do ano passado e com o qual "o lado palestiniano está totalmente comprometido".

Os papagaios aterraram no 'kibutz' israelita de Nahal Oz, a menos de um quilómetro da fronteira palestiniana, na sexta-feira e no sábado, segundo o jornal israelita Haaretz.

O ministro da Defesa esclareceu que um papagaio "é tratado como um drone, com ou sem explosivos".

Na declaração divulgada pelo seu gabinete, o primeiro-ministro israelita reafirmou que "não haverá um regresso ao estado de coisas anterior ao 07 de outubro", referindo-se aos ataques liderados pelo Hamas em 2023 no sul de Israel, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza.

"Israel não permitirá que a organização terrorista Hamas ou qualquer outro elemento na Faixa de Gaza volte a ameaçar as nossas comunidades e comprometa o sentimento de segurança dos nossos cidadãos", acrescentou.

Os habitantes de Nahal Oz, que já tinham sofrido os ataques do 07 de outubro, temem que um caso semelhante à utilização de papagaios e balões por milícias palestinianas em 2018, que eram lançados com material incendiário em território israelita para queimar terrenos das comunidades fronteiriças.

Apesar da trégua em vigor desde outubro do ano passado, Israel e Hamas acusam-se mutuamente de violações ao entendimento, que ameaçam um acordo para a segunda parte do plano de paz proposto pelos Estados Unidos.

Netanyahu recusou no passado dia 09 de agosto o plano apresentado pelo Conselho da Paz, texto respaldado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, que previa o desarmamento do Hamas e a retirada do exército israelita, que ocupa atualmente mais de 60% do enclave palestiniano.

O Hamas tinha concordado com este roteiro no final de julho e reafirmou posteriormente o seu compromisso, deixando porém um alerta de que é "primeiro necessário que os israelitas aprovem" o texto norte-americano.

A segunda fase do roteiro de paz prevê o desarmamento das milícias palestinianas, a retirada gradual de Israel e a criação de um órgão tecnocrático palestiniano, a par do destacamento de uma força internacional de estabilização.

A guerra no enclave foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.

Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave, que provocou mais de 73 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo Hamas, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.

Desde a trégua em vigor, mais de 1.200 pessoas morreram em ataques israelitas, de acordo com as autoridades da Faixa de Gaza.