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Relâmpagos (e não nos subestimem, pois somos o golo de Sidny Lopes Cabral)

Não sou como aquela anedota de “Bubista ma Merka, dos pizode”, mas sei que Pedro Brito, aliás Bubista, é treinador com efes e eres comparáveis aos melhores que há e que Vozinha, afinal Josimar Dias, pode guardar qualquer baliza do mundo. Sei também que Amílcar Cabral, vida e obra, seu legado afinal abre portas em Washington, Moscovo, Pequim, Joanesburgo, Paris, Tóquio, Lisboa, Dakar, Havana e São Paulo, entre mil outras paragens, inspirando estudos sobre a libertação . Sei ainda que temos figuras e quadros valorosos nas ilhas e no Cosmo, parafraseando Vasco Martins. Faz sentido uma enciclopédia cabo-verdiana? Enquanto o tema medra sobre a mesa das posições e das decisões, uma modesta resolução: o livro de referência sobre Quem é quem na Nação Global, que somos, ó Crioulada!

Cabo Verde precisa ampliar manifestações e sítios reconhecidos pela UNESCO. Tenhamos melhor conhecimento do nosso património material, imaterial e natural; trabalhemos com esmero o nosso diverso potencial; e façamos os nossos dossiers com as competências instaladas e com a diplomacia cultural necessária. Ao fim e ao cabo, a Crioulidade, de feição e alma cabo-verdianas, é ela-própria um achado de complexidade e alteridade, é uma contribuição para a Humanidade.

Estou convidado a fazer um ensaio para a revista Colóquio, da Fundação Calouste Gulbenkian, (edição Primavera de 2027), integralmente dedicada aos últimos 50 anos das literaturas africanas de Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau. Sempre defendi que, sem prejuízo por outros olhares, o puzzle será incompleto de todo se não tivermos olhar próprio sobre os nossos fazeres culturais. Aqui, refiro-me a um “nós” múltiplo, diversificado e alargado. Haja engenho e arte.

Com grandeza de espírito, minha gente; noblesse oblige, putativos candidatos; saudemos, respeitando, todos os disponíveis para as Eleições Presidenciais de 2026. Cada um olhe, da perspetiva muito pessoal, que é sempre relativa, o seu “candidato” como primus inter pares, recusando a desvalorização e, sobretudo, a destruição de caráter dos demais. São valorosos cidadãos aqueles que se prestam ao Mais Alto Cargo da Nação, que é de todos nós. Por conseguinte, truculência, maledicência e baixa política…a vez ora não pode ser vossa!

A política, se orientada para o bem-comum e para a qualificação da Polis, requer uma reconfiguração no olhar o outro como par e o adversário, ora circunstancial, como a alteridade que nos complementa e que se presta ao nosso próprio aprimoramento. Afinal, ganhamos sempre, quando é sem perder a ternura.

Eppur si muove. Somos o golo de Sidny Lopes Cabral. Yes, We Can!