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A escola e as competências emocionais

A evolução dos tempos tem reflexos diretos na escola, cujas mudanças exigem novas competências às crianças e aos jovens. O avanço da Inteligência Artificial, a rápida evolução tecnológica e as mudanças no mercado de trabalho mostram que o sucesso no futuro dependerá não apenas dos conhecimentos académicos, mas sobretudo de competências como a empatia, a autorregulação, a comunicação, a cooperação, a resiliência e o pensamento crítico.

A investigação tem demonstrado que podem ser ensinadas e desenvolvidas na escola, trazendo benefícios para a aprendizagem, a empregabilidade, o bem-estar psicológico e a participação cívica. Em Portugal, esta visão está refletida no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, que valoriza o desenvolvimento pessoal, a autonomia e as relações interpessoais. No entanto, existe uma diferença entre aquilo que as orientações defendem e o que acontece na prática. Ao contrário das disciplinas tradicionais, as competências socioemocionais não têm um espaço próprio no currículo e dependem frequentemente de projetos ou iniciativas específicas de escolas, municípios ou professores.

A integração destas competências no currículo não significa reduzir a exigência académica, mas sim complementar a formação dos alunos com capacidades fundamentais para enfrentar os desafios de uma sociedade em constante mudança. Este processo exige recursos adequados, metodologias participativas e formas de avaliação mais diversificadas.

Contudo, esta responsabilidade não pertence apenas à escola. As competências socioemocionais começam a desenvolver-se no contexto familiar, sendo essencial uma forte colaboração entre escola, família e comunidade. A questão é quando a família falha e ela própria carece de orientação. Como ficam as crianças e os jovens que nasceram no seio de famílias disfuncionais? É aqui que deve entrar a escola, não para suprir o vazio da família, mas, reconhecendo que cada aluno tem o direito a desenvolver-se integralmente, deve orientar e dar-lhe ferramentas para que seja um cidadão em pleno.

Hoje, a questão já não é saber se estas competências são importantes, mas sim quando estarão plenamente integradas na educação. A sua inclusão na cultura de escola ou nos currículos representa uma visão mais completa e humanista da escola, promovendo o desenvolvimento académico, pessoal, social e emocional de cada aluno.