Mais do que um balanço, uma visão para a Calheta
Os primeiros meses de um mandato são, quase sempre, o tempo das promessas transformadas em decisões. É quando se percebe se as prioridades anunciadas durante a campanha começam, ou não, a ganhar forma. Na Calheta, os primeiros 10 meses ficaram marcados por uma aposta clara em áreas essenciais, ou seja a melhoria da rede de água, a renovação de equipamentos para a higiene urbana, intervenções na rede viária, investimento na educação, reforço dos apoios sociais, valorização do desporto, da cultura, das freguesias e da saúde.
Um conjunto de medidas que traduz uma opção política centrada na melhoria da qualidade de vida dos calhetenses.
Mas talvez o aspeto mais relevante deste primeiro ciclo de governação não seja aquilo que já foi concretizado. O verdadeiro sinal está na forma como o nosso executivo olha para o futuro.
Durante décadas, o grande objetivo da Calheta foi criar condições para crescer. Hoje, esse objetivo foi amplamente alcançado. O concelho consolidou-se como um dos principais polos de desenvolvimento da Madeira, atrai investimento, cria emprego e afirma-se como um destino cada vez mais procurado para viver e visitar.
Contudo, o crescimento traz consigo novos desafios. A procura crescente por habitação, a pressão sobre os serviços públicos, a necessidade de reforçar a capacidade de abastecimento de água, expandir a rede de saneamento, melhorar a mobilidade e proteger infraestruturas estratégicas demonstram que a próxima fase do desenvolvimento exige uma visão diferente daquela que orientou os últimos anos.
É precisamente aqui que o meu discurso no dia do concelho ganha maior significado. Mais do que fazer um inventário de obra realizada, procurei afirmar uma estratégia para a próxima década.
Essa estratégia parte de um princípio simples, de que o Município deve continuar a cumprir a sua responsabilidade, mas há investimentos cuja dimensão ultrapassa claramente a capacidade financeira de uma autarquia.
A intervenção na escarpa da marginal, a continuação da Via Rápida até à Calheta, a expansão da rede de saneamento, o reforço das reservas de água e uma resposta mais robusta à habitação são exemplos de projetos que não dizem respeito apenas à Calheta. São investimentos estruturantes para toda a Região, capazes de garantir segurança, competitividade e melhores condições de vida para quem escolhe este concelho para viver, trabalhar ou investir.
Nesse contexto, os pedidos dirigidos ao Governo Regional não devem ser vistos como uma reivindicação circunstancial. Devem ser entendidos como consequência natural do percurso que a Calheta construiu ao longo dos últimos anos. Um concelho que cresce, que executa investimento, que gera riqueza e que responde às necessidades da sua população tem legitimidade para exigir que esse esforço seja acompanhado por obras estruturantes que assegurem a continuidade desse desenvolvimento.
A verdade é que governar deixou de significar apenas construção de novas infraestruturas. Hoje, governar é antecipar problemas antes que condicionem o futuro. É planear o crescimento sem comprometer a qualidade de vida. É garantir que a valorização do Município não dificulta o acesso à habitação, que o aumento do turismo não sobrecarrega os serviços públicos e que o desenvolvimento económico continua a beneficiar quem sempre fez da Calheta a sua terra.
Hoje já não se questiona se o concelho deve crescer. Essa etapa está ultrapassada. O desafio passa, agora, por garantir que esse crescimento continua a ser sustentável, equilibrado e capaz de melhorar a vida das pessoas. É esse o verdadeiro teste das políticas públicas e, provavelmente, o maior desafio que o concelho enfrentará nos próximos anos.
Contamos com todos e enquanto autarca também assumo essa quota parte.
Cá estarei para dar cara pelos calhetenses, em que circunstância for.