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Em memória do Jorge e do Fábio

Nesta semana, no espaço de 2 dias, perdi 2 amigos e vizinhos. O Jorge Gonçalves, ligado ao rally, com 58 anos. Conhecia-o desde pequena. E o Fábio Ferreira, ligado ao Motocross e às bicicletas, com 37 anos. Um vizinho mais recente, mas que deixa igualmente saudade.

Foi uma semana difícil. Ambos faleceram com a terrível doença do cancro. Às famílias o meu abraço solidário e de reconhecimento da excelente pessoa que cada um deles era.

Pelos meus lados, na minha vizinhança, no meu grupo de amigos e família, existem ainda mais algumas pessoas que lutam contra o cancro. Com tanta gente ao meu redor com esta doença, dei por mim a pensar – o que se passa nesta terra para haver tanta gente com esta terrível doença? Não devo ser a única a conhecer tanta gente com cancro. Com tanta incidência de casos, afinal, o que se passa por aqui?

Estudos científicos demonstram que a má alimentação, o stress elevado, o cansaço e uma má qualidade de vida contribuem para o aparecimento desta doença. Sei que depois existem outros fatores de risco como o cigarro, o álcool, ou outros vícios. Mas, muitos não têm vícios e desenvolvem esta doença.

Creio que uma gestão governamental séria na área da saúde deveria preocupar-se por investigar porquê aparecem tantos casos desta doença. A grande incidência de casos assim o exige.

Creio que para bem de todos nós, é importante investigar a qualidade da nossa água, possíveis contaminações de lençóis de água subterrânea, efeitos da rede eletromagnética existente nas diferentes zonas e potenciais problemas ambientais pelo território regional que possam estar a influenciar a deterioração da saúde das pessoas. Uma análise à qualidade dos bens alimentícios é também importante para alertar a população da existência de componentes bioquímicos que possam afetar a saúde pública associada a ingestão de determinados bens.

Ser-se responsável governamental pela área da saúde não é limitar a atuação apenas à assistência hospitalar e nos centros de saúde.

É ter consciência da atuação preventiva para a manutenção da vida com qualidade. E é preciso procurar as causas para conseguir conter as doenças que limitam a nossa qualidade de vida e que podem conduzir-nos a uma situação de desviver. A prevenção é essencial na saúde.

Uma sociedade saudável contribui para um maior bem estar geral e se querem discutir este tema em termos meramente económicos, então esclareço que uma sociedade com pessoas saudáveis consegue gerar melhores resultados económicos. Em termos económicos, a definição de políticas públicas para a prevenção constitui investimento (e não gasto). É o que se designa que produz externalidades positivas, o que significa que a aposta na saúde gera benefícios para todos, mesmo os que não padecem de doenças. Para além de que todos nós nos sentimos mais seguros numa sociedade que assegura o tratamento aos cidadãos que precisam.

Diagnósticos atempados são fundamentais para a regressão desta e doutras doenças.

Tratamentos iniciados o mais breve possível e medicação adequada são essenciais para a recuperação da saúde e evitar situações irreversíveis. Não podemos aceitar demora para a realização de exames, nem que equipamentos hospitalares estejam avariados por tempo indeterminado, prejudicando sobretudo os mais vulneráveis na realização dos exames e preparação dos tratamentos mais adequados a cada situação. Não podemos aceitar que entre a deteção da doença e o início dos tratamentos medie tempo de espera. Tempo que pode ser fatal.

Atuar o mais cedo possível é o segredo para reverter qualquer doença. E muito menos podemos aceitar a existência de rumores de substituição de medicação por outra não tão eficaz no tratamento do cancro, ou de outras, por problemas de gestão farmacêutica hospital. Testemunhas de quem passa por esta substituição de medicamentos relatam que consideram que a nova medicação prescrita de substituição não produz os efeitos de melhora que vinham tendo e algumas pessoas relatam mesmo que sentiram regressão na recuperação.

Estou convicta que melhor qualidade de saúde não se obtém simplesmente com a conclusão do novo hospital. Não são as paredes de um hospital que vão garantir melhor qualidade de saúde.

Melhor saúde obtém-se com bons profissionais. E falo não só de médicos, como de enfermeiros, técnicos de saúde, assistentes técnicos e inclusive os auxiliares que trabalham nas diferentes unidades de saúde que contribuem para a recuperação da saúde.

Todos eles porque lidam com situações de doença deveriam também de ter direito à obtenção de estatuto de profissões de risco pelo que lidam no seu dia a dia.

Não é construir um hospital com o objetivo de investigação que permitirá reverter estas situações. A investigação na saúde é importante, mas tenho dúvidas que um hospital virado para a investigação conseguirá resolver os problemas atuais da nossa Região.

A nossa população está cada vez mais idosa e creio que está mais do que na hora de criar políticas públicas integradas entre a saúde e a área social que permitam às pessoas idosas ficarem em casa a receber os tratamentos que necessitam. Prevenção e informação são essenciais neste apoio.

Apesar de Pedro Ramos, na altura em que era Secretário Regional da Saúde e Proteção Civil, e atual presidente da Estrutura de Missão responsável pela transição, operacionalização e abertura do Novo Hospital Central e Universitário da Madeira ter afirmado que “não interessa como morrem”, a verdade é que dados a que tive acesso demonstram que a população da Madeira tem mais casos de problemas cardiorrespiratórios do que o resto do país e no período da COVID a Madeira foi a região do país com maiores casos de falecimento por problemas cardiorrespiratório e AVC.

E já agora, saber como morrem pode ajudar a quem ainda vive como prevenção de possíveis problemas. E não é preciso ser-se médico para perceber isto.