DNOTICIAS.PT
Artigos

A ilha Ogígia descrita por Homero e a Madeira*

O autor alemão Richard Hennig, em 1925, concluiu que Ogígia corresponde à ilha da Madeira.

No livro Ilíada de Homero, séc. VIII a.C., descreve que Ulisses perdeu-se numa tempestade, foi acolhido na ilha Ogígea, onde vivia a ninfa Calipso numas grutas com água abundante e frutos silvestres.

O autor alemão R. Hennig analisou a viagem de Ulisses entre Ogígia a Esquéria (Grécia), orientado pelas constelações de Auriga, Ursa Maior e Plêiades à sua esquerda, faz supor um rumo de sudoeste para nordeste. E desse modo,  a ilha que mais se adequa à posição de Ogígia, localizada para esse percurso, é a Ilha da Madeira. Concluiu, Richard Hennig, em Vor Rätselhaften Lander (Terras enigmáticas), em 1925. Eduardo Pereira faz referência a este episódio nas Ilhas de Zarco, Edição da Câmara Municipal do Funchal, Vol. I, 1989, pág. 239.

A deportação da filha de Tétis

No livro - A filha de Tétis e a feiticeira da Terça -, a partir da mitologia grega, descreve que Tétis era a ninfa mais bonita do Olimpo, de modo que Zeus queria casar com ela. Mas Prometeu avisou Zeus que Tétis iria ter um filho poderoso, que poderia derrubar Zeus. Este, com receio, ordenou que Tétis casasse com um humano, desse modo, os filhos não seriam divinos.

Tétis teve sete filhos, sendo o mais famoso Aquiles, um herói invencível, mas era mortal. Uma das filhas de Tétis criticou Zeus por ter decidido que os filhos de Tétis seriam mortais. Por esse motivo, a filha de Tétis, por ter dito mal de Zeus, foi deportada para uma ilha desconhecida.

Qual é essa ilha?

Na altura, o mundo conhecido era o mediterrâneo. Por isso, essa ilha só poderia situar-se fora deste mar, sendo mais provável a Madeira, tanto mais que já Homero escrevera que em Ogígea viveu uma ninfa grega.

Zeus queria que a ilha da filha de Tétis permanecesse desconhecida. Por  esse motivo, após a filha de Tétis ter desembarcado, Zeus transformou o navio argus em rocha, para que ninguém regressasse. Ainda hoje existem uns vestígios dessa rocha junto à costa, que é o Ilhéu do Campanário. No dia 1 de novembro de 1798 uma forte tempestade derrubou uma das pernadas do ilhéu, como regista o Elucidário Madeirense. Quanto à filha de Tétis esta deu origem a uma feiticeira que viveu no sítio da Terça, freguesia de Campanário.

(foto: Pintura da Dra. Reina Pinto sobre a Filha de Tétis no Calhau da Lapa a contemplar o ilhéu original do Campanário, ainda com as duas pernadas, que seria o navio argus que transportou a Filha de Tétis)

* Baseado no livro – A Filha de Tétis e a feiticeira da Terça, Ed. de autor, 2011