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José Sócrates: um homem, um partido e um rasto de destruição até hoje

Estamos no ano de 2026. José Sócrates deixou de ser Primeiro-Ministro em 2011. Volvidos quinze anos o antigo primeiro-ministro socialista continua a destruir a nossa democracia e a confiança dos portugueses nas instituições. Um homem, um partido, um rasto de destruição.

José Sócrates e o Partido Socialista deram cabo das finanças públicas do país, obrigando a um dos maiores períodos de austeridade da nossa história, e continuam a dar cabo da credibilidade do sistema de Justiça. Um sistema de Justiça que as governações socialistas deixaram definhar, com desinvestimentos prolongados, para enfraquecer a independência e o funcionamento do poder judicial.

Foi José Sócrates quem levou Portugal à bancarrota em 2011. Foi o seu Governo que rebentou com as finanças públicas, destruiu a credibilidade internacional do país e abriu as portas à humilhação da troika. E não vale a pena tentar reescrever a história. Os portugueses lembram-se bem do que viveram: desemprego, austeridade, cortes, emigração forçada e um país completamente de joelhos perante credores internacionais.

José Sócrates contribuiu muito para destruir a confiança dos portugueses na política. E quando os cidadãos deixam de acreditar na política tradicional, começam a crescer os populismos, os radicalismos e os extremismos. O não funcionamento do Estado, para o qual contribuiu o Partido Socialista durante décadas e décadas, é o grande combustível do Chega nos dias de hoje. José Sócrates e os governos PS são os “melhores amigos” do Chega e de André Ventura.

Mas o rasto de destruição de Sócrates e do PS não foi apenas financeiro. Foi institucional. Continua a ser na Justiça. Outro pilar fundamental da nossa democracia.

José Sócrates foi detido em 2014. Estamos em 2026. E o país continua sem ver um julgamento concluído. Pelo caminho já houve prescrições em 2024, 2025 e agora novamente em 2026. Isto é absolutamente devastador para a confiança dos portugueses na Justiça.

Independentemente de alguém gostar ou não de Sócrates, de acreditar ou não na sua inocência, nenhum Estado de Direito Democrático consegue sobreviver a um processo desta dimensão arrastado durante mais de uma década sem consequências na confiança pública.

E aqui importa dizer algo que muita gente evita dizer com frontalidade: José Sócrates foi extremamente hábil a explorar todas as fragilidades do sistema judicial português. Mas essas fragilidades não nasceram do acaso. Foram alimentadas durante décadas por sucessivos governos que desinvestiram profundamente na Justiça. E muitos desses governos foram precisamente do Partido Socialista.

Não há melhor forma de o poder político atacar a independência da Justiça do que deixar os tribunais sem meios, sem pessoas e sem capacidade de resposta. É uma forma silenciosa de enfraquecer o sistema.

Hoje faltam magistrados, faltam oficiais de justiça, faltam condições dignas nos tribunais. Há oficiais de justiça deslocados que não conseguem pagar a renda de casa. Há tribunais completamente sobrecarregados, sem meios para dar reposta, sem condições mínimas de trabalho. Há magistrados sujeitos a níveis de pressão processual e a um regime de mobilidade que tornam uma carreira outrora muito procurada e prestigiante numa carreira cada vez mais desincentivadora. Se a Justiça pior não está então muito deve a todos os seus funcionários e agentes, magistrados, oficiais de justiça, polícias, advogados, que muito fazem com o pouco que têm.

Quando a Justiça deixa de funcionar, a democracia começa a apodrecer por dentro. E José Sócrates tornou-se o maior símbolo vivo dessa falência institucional. Ainda hoje é o exemplo perfeito utilizado pelos populismos para convencer milhares de portugueses de que o sistema não funciona. Por isso, enquanto o país continuar sem coragem para reformar seriamente a Justiça, continuará também a alimentar aqueles que vivem da destruição da própria democracia.

E quando os portugueses deixam de acreditar na Justiça, começam também a deixar de acreditar na democracia.