Trump considera proposta de cessar-fogo significativa mas insuficiente
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou hoje como um "passo muito significativo" a proposta de cessar-fogo de 45 dias no Irão apresentada por países mediadores, embora insista que ainda é insuficiente.
"Ainda não é suficiente, mas é um passo muito significativo", afirmou Trump durante uma conferência de imprensa à margem de uma cerimónia de Páscoa na Casa Branca, em Washington.
Horas antes, a Casa Branca (presidência norte-americana) tinha confirmado que mediadores internacionais propuseram uma trégua temporária no conflito com o Irão, mas salientou que o Presidente dos Estados Unidos não endossou formalmente a iniciativa.
"É apenas uma ideia entre muitas, e o Presidente não a endossou. A operação militar continua", declarou um alto responsável norte-americano, referindo-se à ofensiva em curso, designada "Operação Fúria Épica".
Segundo o portal norte-americano Axios, a proposta foi apresentada por mediadores do Paquistão, Egito e Turquia e prevê uma pausa de 45 dias nas hostilidades para permitir negociações diplomáticas.
O plano inclui uma primeira fase de cessar-fogo temporário, passível de prorrogação, seguida de negociações destinadas a alcançar um acordo de paz duradouro entre Washington e Teerão.
Em declarações aos jornalistas, Trump admitiu ainda não estar preocupado com a possibilidade de cometer crimes de guerra no Irão, caso avance com ameaças de bombardear infraestruturas civis.
"Não estou preocupado com isso", disse Trump a jornalistas, quando questionado sobre a eventual destruição de centrais elétricas iranianas.
O chefe de Estado norte-americano defendeu que o verdadeiro "crime de guerra" seria permitir que o Irão desenvolvesse armas nucleares, acusando também as autoridades de Teerão de repressão violenta sobre manifestantes.
Trump reiterou que os Estados Unidos estão ao lado dos iranianos que procuram "liberdade", apesar da guerra em curso há mais de um mês, que já terá provocado mais de três mil mortos no país, incluindo mais de mil baixas civis, segundo dados da organização não-governamental HRANA (Human Rights Activists News Agency), com sede no território norte-americano.
Segundo o Presidente norte-americano, existem relatos de dezenas de milhares de vítimas e detenções em território iraniano, embora estes números não tenham sido confirmados de forma independente.
O líder norte-americano afirmou ainda que Washington terá enviado armas destinadas a grupos opositores iranianos, mas indicou que essas entregas não foram concretizadas como previsto.
Nas mesmas declarações, Trump aproveitou para voltar a criticar duramente a NATO, afirmando que a organização "deveria envergonhar-se" e admitindo novamente a possibilidade de os Estados Unidos abandonarem a Aliança Atlântica.
"A NATO não tem estado à altura", disse Trump, sugerindo que o apoio dos aliados europeus à operação militar contra o Irão tem sido insuficiente.
O Presidente norte-americano acrescentou que as relações de Washington com a China são atualmente melhores do que com a NATO e considerou que, num eventual conflito entre grandes potências, a aliança poderá não responder.
Estas declarações surgem num contexto de crescente tensão internacional, após o início da operação militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, em curso desde 28 de fevereiro.