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Crónicas

A Madeira primeiro

O primeiro partido populista em Portugal foi o PPD da Madeira

Sou cada vez menos português.Sou cada vez mais madeirense.

Prefiro ser madeirense de primeira a português de segunda!

E talvez nunca mais volte a ser português, pelo menos como já fui. Não têm nada para me dar. Estão sempre a tirar. Fico a perder.

A desilusão é grande. A ruptura com tudo o que defendo é definitiva. Não me peçam mais porque não vou dar a esta país.

Por outro lado, se isto que temos é AUTONOMIA, então desisto de ser autonomista.

Não me enganem mais. Basta!

Qual é a alternativa? Colonizado como antes? Separatista? Já vivi mandado por Lisboa. Já vivi em Autonomia.

Aceito que haja quem queira viver esta fraude política que em Lisboa chamam de Autonomia.

Há 50 anos que pensamos ser o único caminho que vale a pena.

Há muita gente sentada esperando que as coisas aconteçam.

No final, sinto que dei os melhores anos da minha vida a um combate político que ainda não teve sucesso. Nem está acabado.

E sei isto porque para mais conheço, e todos nós conhecemos, o que nos falta. Não penso que esta forma portuguesa de vida é a que mais nos dá conforto e segurança. Este não é o melhor enquadramento para dar felicidade às nossas famílias.

Não falo de separatismo. Decidir sobre isso fica para as próximas gerações.

Falo de Autonomia dentro da nação portuguesa. Neste país velhinho que não consegue fazer o seu povo feliz.

Conhecem na Europa outro caso de fracasso para além do de Portugal? É triste ter como horizonte continuar pobre. Mas não parece possível dar a volta.

Em dois anos tivemos cinco eleições. Logo depois veio um temporal que devastou meio país. Temos um antigo primeiro ministro quase preso, outro que se demitiu por suspeita de corrupção e foi premiado presidente na Europa e um outro que esconde as contas da sua empresa e até infringe a lei sem sinto de segurança.

Só nós é que tínhamos de provar nada devermos ao fisco.

Quando os chefes são maus exemplos e a pobreza atinge a maioria … pouco resta para acreditar.

E pior que pobre e mal pago ainda é ter de viver amordaçado.

Afinal um deputado, eleito com o meu voto, não pode falar na suposta Casa da Democracia sobre assunto crucial que diz respeito à sua região e à sua população?

Eu não aceito isso.

Eu não aceito, nós não aceitamos, que em Lisboa na Assembleia da República o PSD não entenda que a Autonomia da Madeira impõe regras, princípios, deveres e obrigações aos seus deputados. E um deles é poder falar.

Querem continuar sem esse direito elementar? Querem pedir o voto para quem está impedido de falar? Há lata suficiente para tamanha fraude política? Ou vamos escolher outro caminho?

Eu não sou mais do PSD de Luís Montenegro e Hugo Soares. Nem do partido daquele rebanho parlamentar que aplaude ofensas gratuitas e estúpidas a companheiros de partido.

É tudo uma pouca vergonha! Esta classe política laranja em Lisboa está podre. Já não nos orgulha.

Sou, como todos vocês, assumidamente social democrata. Coisa que em Lisboa já não sabem o que significa. Agora são um partido que apenas se defende: do PS e da direita, alguma dita populista.

É preciso que se diga que o primeiro partido populista em Portugal foi o PPD da Madeira.

A sua intervenção política na Madeira das décadas oitenta e noventa foi populista, amiga do povo, e ganhou sucessivas maiorias absolutas.

André Ventura ao lado de Alberto João Jardim não passa de um aprendiz.

Chamar ao JPP de populista é gozar com coisas sérias.

Eu era vice-presidente de Alberto João e tenho muita honra no modo como o PPD Madeira fez política, as verdades que dissemos, como falámos às pessoas, combatemos os adversários e construímos a Autonomia.

O populismo foi a força e inteligência que nos fizeram ser diferentes, promover a Autonomia e estar próximos da população.

O mal do PSD em Lisboa é nunca ter sido populista, ter preferido ser elitista, centrado em Cascais, o que o afastou das pessoas, principalmente dos jovens.

Este é o tempo de Miguel Albuquerque. Tenho orgulho de estar a seu lado. Admiro a sua resistência a todos os que o pretendem desgastar e aos poucos que não o aprovam.

Não deixo de me lembrar dos que não o queriam na liderança do PSD. Quantas vezes é melhor que eles? Mais democrata. Mais leal ao partido. Mais sincero com os companheiros. Tenho a certeza que nunca votou noutro partido.

Por tudo isso, pelo que trabalha, pelo grande político em que se tornou, estamos todos mobilizados e precavidos para combater os que, roídos pela inveja do seu sucesso, tentam negar que este é o melhor tempo da História da Madeira.

Tempo de viver com o nosso dinheiro e não com dívidas, como as que ainda hoje sufocam e dificultam o muito que queremos para o futuro.

Se posso dar um conselho, julgo que é tempo de re-fundar a Autonomia. Nos seus primeiros anos houve muita precipitação na negociação com o Estado. Sei bem o que digo. Aceitámos muita coisa que hoje não faz sentido. Olhamos à nossa volta e vemos na Europa tantos exemplos que devemos copiar.

Nos 40 anos em que o governo português como que derreteu dinheiro, arranjou dívida que não pesa sobre as demais regiões de Portugal. Só a Madeira e os Açores sofrem as consequências de uma dívida que não foi de brincar às revoluções mas de recuperar atrasos.

É tempo de recomeçar de novo. Com o talento e saber desta geração. Com uma nova ambição que não estrague nada mas assuma um novo entendimento do que é ser Portugal e é estar na Europa.

A constituição, o estatuto, a lei das finanças regionais são os instrumentos para dar outra verdade à nossa integração nacional.

Tenho 50 anos de combate partidário, lado a lado, com Miguel Albuquerque. Somos mais azuis e amarelos que laranja, mas não deixamos de saber que estas três cores unem os nossos nervos de aço e nos mantêm de pé contra todas as dificuldades.

Agradeço ao Miguel Albuquerque por aqui estar e continuar. Agradeço a todos os que o ajudam a fazer uma nova Madeira e uma nova Autonomia. Enquanto uns saem, outros entram nas fileiras do nosso combate. Que não permite vaidades e exige humilde participação no colectivo que todos formamos.

E como sou populista grito VIVA A MADEIRA LIVRE!