Madeira Livre
Tem sido um ano conturbado. Passados dois meses e pouco mais desde o seu início, 2026 tem-se revelado particularmente intenso no que concerne às movimentações entre estados e nações. O arranque do ano ficou marcado pela detenção de Nicolás Maduro - para grande augúrio dos democratas e dos amigos da Venezuela (como eu, diga-se). Mais recentemente, os desenvolvimentos no México e no Irão devem fazer-nos perceber que a atualidade é, em si mesmo, muito mais volátil que qualquer outro tempo da História.
Todavia, apesar de todas as movimentações geopolíticas que antecipam alterações nas alianças e nas relações entre países, podendo perigar a dinâmica económica que se conhece, os problemas dos cidadãos não se alteraram sobremaneira. O custo de vida, as dificuldades no acesso à habitação ou a necessidade de tornar o território mais resiliente face aos fenómenos climáticos devem estar no horizonte daqueles que definem políticas públicas.
Assim, é fundamental que no quadro dos desafios atuais a Madeira continue a posicionar-se respeitando três princípios fundamentais da sua história recente: estabilidade, clareza e sentido de urgência.
Qualquer regime político precisa de estabilidade para implementar reformas, antecipar oportunidades e, acima de tudo, conseguir projetar melhorias no quotidiano dos cidadãos. A política serve para resolver os problemas concretos das pessoas, não para passeios de vaidade ou mediatismos balofos. Por muito que tentem desmentir, o PSD tem sido o gerente do progresso, precisamente por ser um garante de estabilidade. Como aludiu recentemente Durão Barroso, os governos das autonomias têm-se revelado mais estáveis que os governos nacionais. E isso traz resultados: gostem ou não, essa estabilidade produz riqueza, gera oportunidades e traduz-se em melhores condições de vida.
Porém, é necessário manter clareza no pensamento e na atuação. Num tempo em que a conjuntura externa é imprevisível, o foco da ação política deve alicerçar as prioridades assumidas, sem prejuízo de sempre que necessário ajustar os timings e as decisões. Não interessa só decidir, mas sim fazê-lo com rasgo, com oportunidade e, sobretudo, com inteligência.
Por fim, mas não menos importante: o sentido de urgência. Num mundo dominado pelo excesso de informação é essencial, mais do que nunca, perceber para onde “roda o mundo”. Se a política externa dos países se posiciona para uma nova economia - mais digital, tecnológica e onde os recursos naturais assumem uma nova preponderância - é fundamental que os estados e as regiões possam olhar para a inovação não como um ramo de investigação científica, mas sim como uma oportunidade de reformar a economia, diversificando-a e posicionando-se na “pole position” do novo mundo.
Por tudo isto, acredito que os próximos anos podem ser estruturantes para um novo pulsar da economia portuguesa, em particular das nossas Regiões Autónomas, porque as mudanças geopolíticas que se antecipam potenciarão, não tenho dúvidas, novas oportunidades de riqueza, crescimento e empregos qualificados para territórios insulares.
O maior propósito da Autonomia política é fazer destas “as ilhas mais belas e livres” e não haverá Madeira mais livre do que aquela que todos os dias procure concretizar o seu maior desígnio.