Relâmpagos (Time alone)
Ontem, lançamos o livro “Monte Txota – Um massacre em Cabo Verde” (Rosa de Porcelana Editora), de Cristina Ferreira e Ricardino Pedro, no Auditório do Banco Interatlântico.
Investigar a fundo os acontecimentos de interesse público, sobretudo aqueles que aportam tensionamentos sociais, eventualmente políticos, assim como escrevê-los com mais profundidade, começa a tornar-se um dever e um direito. Este livro aspira a inscrever-se como um grande momento do jornalismo investigativo em Cabo Verde. Que faz falta. Que faz falta como pão para a boca!
A Assembleia Geral da ONU aprovou, ontem, Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Escravo, a resolução que define o tráfico transatlântico de africanos escravizados como o mais desumano e duradouro crime contra a Humanidade. É redentor percebermos que a larga maioria dos países do mundo não se absteve, nem recusou a Humanidade. Seja este momento o marco irreversível em prol do Sankofa, da justiça restauradora, reparadora e humanizadora.
E falando em coisas/ causas amofinadas. Nos partidos políticos, quais sejam, eleições à vista. A chatice de compor as listas, o frenesim da corrida e não há cabresto de cabo longo que aguente. Cuidemos da cidadania, primeiro, dirá alguém. É um deus-nos-acuda. Farinha pouca, o meu pirão, primeiro. Rédeas soltas aos mil e tantos à fome. É o poder, estúpido. Mas é tão triste...e medíocre.
Durante a minha passagem por São Vicente, para celebrar os 90 anos da Revista Claridade, tive a ventura de ir dar um abraço de bom amigo, mas também de editor, ao Cidadão Amadeu Oliveira, que amarga o imaginário de Kafka na Cadeia Central, localizado em Ribeirinha. Tenho por mim que a servidão das coisas e circunstâncias desenha ciosamente as causas que libertam. Time alone, oh, time will tell...