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Margem para crescer

O Alojamento Local tem vindo a ganhar expressão na Ribeira Brava, acompanhando a afirmação do Concelho como destino turístico e atraindo cada vez mais investimento. Esse crescimento é hoje visível também nos números, com 355 registos distribuídos pelas freguesias e uma concentração mais acentuada na sede de Concelho, confirmando uma tendência que se intensificou de forma clara em 2025.

Este crescimento não pode, porém, ser encarado de forma automática. Há margem para evoluir, mas essa margem tem de ser ocupada com critério. Investimento sim, mas com regras bem definidas. Expansão sim, mas enquadrada numa estratégia que valorize o urbanismo, a qualidade do espaço público e a vivência diária de quem reside na Ribeira Brava.

Entendo que o Alojamento Local pode desempenhar um papel positivo quando associado à reabilitação urbana, e temos alguns bons exemplos de recuperação de edifícios, de uma nova vida de imóveis devolutos, da qualificação de áreas degradadas. Essa política deve continuar a ter a nossa atenção. Não faz sentido promover crescimento desordenado quando existe um potencial significativo de requalificação do edificado existente. É aqui que o Município tem vindo a orientar o investimento.

Mas o turismo não se esgota na oferta de alojamento. Depende da experiência que se proporciona. E essa experiência faz-se com intervenção no espaço público e na oferta complementar. Por isso pretendemos proceder à recuperação e valorização de miradouros e jardins, incluindo o de São Sebastião, dotando estes espaços de novas valências e capacidade de atração.

A aposta na mobilidade sustentável, com a criação de uma ciclovia na Serra de Água, responde, em meu entender, a uma procura crescente por experiências diferenciadas e mais ligadas à natureza. A criação de roteiros turísticos temáticos e a recuperação de percursos pedestres reforçam essa lógica, oferecendo novas formas de conhecer o Concelho.

Ao mesmo tempo, é essencial modernizar a forma como comunicamos. A instalação de painéis interpretativos digitais permitirá qualificar a informação turística e tornar mais acessível o que temos para oferecer. Não basta ter recursos, é preciso saber apresentá-los.

Há ainda uma dimensão económica que não pode ser ignorada. O turismo deve contribuir para dinamizar o comércio local. Incentivar novos formatos, promover montras temáticas em datas especiais, criar movimento e atratividade nas zonas comerciais. O impacto tem de ser transversal.

Considero que o caminho não está em travar o Alojamento Local, mas em orientá-lo. Definir regras claras, garantir equilíbrio e exigir qualidade. Crescer com visão, sem comprometer o que distingue a Ribeira Brava.

Não se trata de escolher entre desenvolvimento e regulação. Trata-se de fazer as duas coisas ao mesmo tempo. E fazê-las bem.