Democratas apresentam resolução para impedir que Trump ataque Cuba sem aval do Congresso
Senadores democratas apresentaram hoje uma resolução para impedir qualquer ação militar contra Cuba ordenada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sem a autorização explícita do Congresso, num momento de crescente pressão de Washigton sobre aquele país.
A proposta de lei, que poderá ser submetida a votação dez dias após ter sido apresentada no Senado, é impulsionada pelos legisladores Tim Kaine, Adam Schiff e Rubén Gallego, que acusaram Trump de ter "ignorado a autoridade exclusiva do Congresso para declarar a guerra nos ataques contra o Irão e a Venezuela".
Esta resolução é a medida legislativa mais recente com a qual os democratas tentam limitar a capacidade de Trump para ordenar ações militares contra outras nações.
Ambas as câmaras do Congresso, dominadas pelos republicanos, rejeitaram anteriormente resoluções semelhantes para impedir as hostilidades contra a Venezuela e o Irão.
"Após o recente bloqueio imposto pelo presidente Trump e as suas ameaças de ação militar em Cuba, apresento esta Resolução sobre os Poderes de Guerra com o objetivo de impedir que as nossas Forças Armadas se envolvam em hostilidades a menos que tenham a autorização do Congresso", afirmou Kaine num comunicado.
O ex-candidato democrata à vice-presidência dos EUA e membro dos Comités de Serviços Armados e Relações Exteriores do Senado insistiu em que apenas o Legislativo "possui a faculdade de declarar guerra".
"No entanto, ele [Trump] age como se as Forças Armadas americanas fossem a sua guarda palaciana, ordenando ações militares nas Caraíbas, na Venezuela e no Irão sem autorização do Congresso nem qualquer explicação ao povo americano", criticou Kaine.
Embora os democratas consigam que a medida seja aprovada, algo improvável devido ao apoio que Trump mantém entre a sua bancada, o presidente tem a capacidade de a vetar.
E para anular o veto seria necessária uma maioria de dois terços em ambas as câmaras.
Trump e a sua Administração não informaram previamente o Congresso sobre o ataque com o qual os EUA capturaram em Caracas o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e alertaram um reduzido grupo de líderes legislativos na antecâmara da ofensiva contra o Irão, que já cumpre o seu décimo quarto dia de ataques.
O presidente republicano, Donald Trump, ameaçou nas últimas semanas tomar o controlo da ilha comunista, seja de forma "amistosa" ou hostil, e repetiu que o Governo de Havana "cairá muito em breve" porque o país "está em ruínas", afetado pelo bloqueio de petróleo imposto por Washington em janeiro passado.
Hoje, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, confirmou que dialogam com os EUA para "procurar soluções pelo caminho do diálogo sobre as diferenças entre ambos os Governos", algo que Trump já tinha adiantado, mas que a ilha tinha negado.