Élia Ascensão apela ao combate contra o sistema instalado
A actual presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz, Élia Ascensão, foi hoje reconduzida como presidente da Comissão Política e Coordenadora Concelhia.
Na cerimónia de tomada de posse, convocou todos para o combate constante contra "um sistema profundamente instalado, que se recusa a aceitar que o concelho de Santa Cruz tenha fugido ao controlo do PSD".
A autarca salientou que este sistema se manifesta de diversas formas, desde logo através de redes de influência que atravessam associações sociais, culturais e desportivas, muitas delas dependentes de envelopes financeiros que chegam diretamente do Governo Regional, "envelopes que, curiosamente, são negados ao Município e às Freguesias, cujos eleitos foram mandatados pelos santacruzenses, através do voto".
Em consequência, Élia Ascensão denunciou que existem "instituições que deveriam estar ao serviço das comunidades, mas que se transformaram em verdadeiros tentáculos de um sistema político que não aceita perder poder; que demasiadas vezes funcionam como extensões do aparelho partidário do PSD e que não perdem uma oportunidade para atacar o JPP e os seus representantes legitimamente eleitos".
A reconduzida presidente alerta, contudo, que os ataques não se ficam por aqui, já que diariamente se assiste "ao jogo sujo permanente da oposição PSD".
"É uma oposição que não constrói, não apresenta alternativas, não contribui para soluções. Uma oposição que prefere a política de terra queimada, o queixume permanente, a vitimização constante e a crítica destrutiva. Veja-se o último comunicado, no qual a Coligação ‘Mais Santa Cruz’ critica o anúncio de construção de apartamentos no concelho, num problema de azia crónica", vincou.
Élia Ascensão criticou ainda o Governo Regional, as Secretarias e as Direcções Regionais, "que cada vez mais assumem, sem disfarce, uma postura de confronto com o Município de Santa Cruz e com o JPP". Confronto que já não é feito nos bastidores, mas às claras, "sem pudor e sem vergonha".
Como exemplos deste comportamento, referiu a ETAR do Caniço, "mal e porcamente construída, que nos foi atirada para o colo", e que agora o Governo Regional recusa qualquer solução conjunta para a sua requalificação e passa o tempo a apontar baterias à ETAR do Caniço sempre que surge um problema e como se não existissem situações idênticas," ou bem piores", em concelhos governados pelo PSD.
Élia Ascensão realçou que a última cartada foi o pedido de audição parlamentar que deveria ser dirigido a quem fez a obra no sentido de realmente colocar o dedo na ferida do problema de base, ou seja ao Governo Regional
A autarca sublinhou que até nos Bombeiros Sapadores de Santa Cruz, que são um orgulho para os santacruzenses e um exemplo para toda a Região, tentam meter as mãos. Ora através da Taxa Municipal da Protecção Civil, recentemente revista e deliberada em Reunião de Assembleia. Ora através de "tentativas veladas de nos retirar autonomia operacional e criar o equivalente a um corpo único de bombeiros da Região".
A presidente da Comissão Política e Coordenadora Concelhia foi mais longe e disse que desde sempre Santa Cruz foi o parente pobre em termos de investimento do Governo Regional, pois mesmo quando era gerida pelo PSD, Santa Cruz recebeu apenas uma pequena fração do investimento regional, muito abaixo do peso demográfico e da importância económica do concelho.
Por
tudo, disse que a equipa que hoje tomou posse deve assumir uma responsabilidade
clara:
organizar o partido a nível local, mobilizar militantes e simpatizantes, e
levar o combate político a todos os cantos do concelho. "Depois de mais de uma
década a limpar a desordem que herdámos, chegou o momento de alavancar o
concelho, captar investimento, criar oportunidades e continuar a transformar
Santa Cruz num exemplo de governação para toda a Região e porque não para o
país", defendeu.