DNOTICIAS.PT
Artigos

Por Portugal Seguro

Sou social-democrata. Convicto. Ideologicamente situado ao centro do espectro político.

Crente na liberdade individual e no respeito pelos direitos da Pessoa. Em especial o da livre escolha.

Crente, também, na necessidade imperiosa do Estado ser uma entidade que garanta a segurança de todos. Com uma postura definitivamente solidária. Mas exigindo o cumprimento das responsabilidades por parte de cada um.

O mesmo é dizer que deve assegurar mecanismos redistributivos e de apoio, de modo a garantir que todos têm acesso aos direitos humanos fundamentais. Mas sem prescindir que todos cumpram, também, com os seus deveres.

Crente, ainda, na Autonomia. Valor maior e só negociável para o seu aprofundamento.

Neste contexto, nestas eleições presidenciais e apesar de nenhum dos candidatos me encher as medidas, mas porque não abdico do dever de votar, decidi adotar a teoria do mal menor. Circunstância facilitada, porque apesar de se “vender” o contrário, a eleição é nominal!

Analisei, assim, o perfil e o posicionamento de todos. Acompanhei os debates e desempenhos públicos, pois estes dizem muito sobre as pessoas.

Entre os onze, as minhas alternativas reduziram-se rapidamente a uma dupla, já que um terceiro, apesar das loas ao centro democrático, me deixou muitas dúvidas sobre as suas convicções sinceras.

Noutro plano e fator também determinante no meu exercício, ponderei sobre a governação de Montenegro. Com a qual, confesso, sinto algum desconforto. Há aspetos da mesma que creio que não são os de que o país necessita. Pelo desalinhamento com os pressupostos, mais gerais, da social-democracia, e até pelo defendido por Sá Carneiro em “Por uma Social Democracia Portuguesa”. Para não falar do seu desrespeito pelos direitos de mobilidade dos Madeirenses!

Comecei, assim, a sentir algum incómodo, pela íntima ligação do 1.º ministro a Marques Mendes. Um dos que considerava como opção e, inicialmente até, confesso, a primeira.

Dito isto, deixei de ter dúvidas. Optei por António José Seguro. Pela moderação, que não é sinónimo de fraqueza, antes garantia da capacidade de estabelecer pontes. Por saber que coloca o país acima de qualquer fação, como o demonstrou durante a troika e razão do seu ostracismo pelo PS mais à esquerda. E pelo percurso de vida também feito fora da política.

Pessoa em quem e por razões acrescidas, votarei na 2.ª volta!

Pois quem não se revê em António Filipe nem em Catarina Martins, pela sua vocação totalitária, também não se pode rever em Ventura. E precisamente pela mesma razão!

Com três agravantes relativamente àqueles.

Pela mutabilidade do seu pensamento, expressa em várias circunstâncias, mas e paradigmaticamente pelo facto de defender, na tese de doutoramento, o contrário do que defende politicamente, o que diz muito sobre o seu carácter.

Pela desfaçatez em vir rogar o apoio da direita democrática e civilizada, de quem diz cobras e lagartos e acusa, até, de corrupta.

E, finalmente, pelos sentimentos xenófobos subjacentes às suas prédicas e à sua campanha eleitoral, como o comprovam alguns dos cartazes difundidos na mesma.