Tensões entre Cuba e EUA aumentam após crise energética e ataque na Venezuela
As relações entre Cuba e os Estados Unidos deterioraram-se com o regresso do Presidente Donald Trump à Casa Branca, num contexto agravado pela captura do Presidente venezuelano Nicolás Maduro, quando morreram 32 militares cubanos destacados em Caracas.
A 14 de janeiro de 2025, o então Presidente norte-americano Joe Biden retirou Cuba da lista de países patrocinadores do terrorismo, decisão que levou Havana a iniciar a libertação de mais de 200 presos políticos dois dias depois.
A distensão durou menos de uma semana, já que, a 20 de janeiro desse ano, Trump reassumiu a presidência e reincluiu Cuba na lista, restabelecendo sanções e restrições à imigração.
Foram imediatamente impostas medidas que afetaram algumas das principais fontes de financiamento da ilha, como as missões médicas e as remessas, e, a 30 de junho de 2025, Trump assinou um memorando para endurecer a política norte-americana, proibindo transações financeiras diretas ou indiretas com entidades controladas pelos militares cubanos.
Após a captura de Maduro pelos Estados Unidos, a 03 de janeiro deste ano, numa operação em Caracas que matou 32 militares cubanos que o protegiam, o Governo de Havana intensificou a retórica contra Washington e iniciou preparativos para uma eventual ação militar.
A 16 de janeiro, o Conselho de Defesa Nacional, presidido por Miguel Díaz-Canel, atualizou as medidas para ativar um "Estado de Guerra", tendo sido lançados exercícios militares em várias regiões do país.
A situação levou ao relançamento da doutrina da "Guerra de Todo o Povo", estratégia promovida por Fidel Castro nos anos 80, baseada na mobilização generalizada da população para tornar insustentável uma eventual ocupação externa.
A 29 de janeiro, Trump assinou uma ordem executiva permitindo a imposição de tarifas a países que vendam ou forneçam petróleo a Cuba.
O embargo agravou a crise económica e social na ilha, com apagões diários superiores a 20 horas, uma contração do PIB superior a 15% desde 2020 e uma quebra acentuada no turismo.
No início deste mês, o Presidente norte-americano afirmou que Washington estava a negociar com Havana para pôr fim ao embargo petrolífero e disse acreditar que estariam perto de um acordo que permitiria aos cubano-americanos visitarem novamente a ilha.
Quatro dias depois, Díaz-Canel manifestou disponibilidade para dialogar com os Estados Unidos sobre temas como migração, segurança e combate ao narcotráfico e ao terrorismo, embora tenha negado a existência de negociações formais.
A 25 de fevereiro, o Governo norte-americano flexibilizou o embargo petrolífero, autorizando a reexportação de crude venezuelano para Cuba, com restrições e através do setor privado, tendo, no dia anterior, facilitado também a venda de gás e derivados de petróleo a empresas privadas na ilha por companhias norte-americanas.
Na quarta-feira, um novo incidente agravou as tensões: a Guarda Costeira cubana matou quatro tripulantes de uma lancha norte-americana que, segundo as autoridades de Havana, não obedeceu à ordem de paragem em águas territoriais e abriu fogo contra uma embarcação policial.