O racismo… e a hipocrisia!
Evidentemente que, o racismo é algo abominável, inadmissível, profundamente intolerável e merece o nosso apoio todo aquele que só, ou através de associações, grupos ou por outra qualquer forma o combata, lute para que essa praga não sendo possível extinguir, seja o máximo minimizada.
Agora, não exageremos, não permitamos que qualquer indivíduo no âmbito dos seus interesses pessoais faça de um qualquer episódio um caso grave de racismo, sabendo que leva atrás de si milhentos de indivíduos de todos os quadrantes sociais, muitos dos quais porque acham que lhes fica bem ou daí possam tirar dividendos.
A hipocrisia, infelizmente, ocupa um lugar de destaque nesta questão do racismo e, valha a verdade, em muitas outras causas que se aparenta defender.
O racismo – como atrás referimos – é extremamente diabólico, triste e, estamos certos, em muitas ocasiões tremendamente prejudicial para os nossos irmãos negros, mas não pelo facto de serem chamados por este ou aquele nome ou lhes feita comparações indevidas ou desajustadas.
Isso acontece entre brancos e negros, entre somente negros ou somente brancos.
Os casos, muitas vezes, são transformados em graves porque trazem benefícios as “virgens ofendidas “e aos respetivos oportunistas que os defendem.
Seria muito bom que só nos preocupássemos com os casos sérios do verdadeiro racismo, assim como – mas nestes casos ninguém fala – na desumana situação em que vivem e como são tratados os negros nalguns países onde nasceram e vivem.
Aqui não há racismo. Há fome, há escravidão, há miséria, há falta de um abrigo decente, há exploração no trabalho, há analfabetismo, há perseguições, há doenças e mortes violentas.
Há vidas destroçadas pelas infindáveis guerras internas, seres humanos negros sem presente e sem futuro.
Mas nestas barbaridades pouco se ouve falar. É mais fácil, mais cómodo e, presumivelmente, mais lucrativo, condenar um branco por uma palavra dita - que não devia dizer - a um negro, do que denunciar os países africanos onde há negros a viver em condições deploráveis, sub-humanas, miseravelmente tratados por compatriotas da sua cor.
Uns por umas causas, outros por outras, temos por exemplo, o Sudão do Sul, Burundi, República Centro Africana, República Democrática do Congo e, igualmente, com toda a amargura que sentimos, algumas das nossas ex-colónias que a miserável descolonização portuguesa deixou ao Deus-dará há 50 anos atrás, para não falar em muitos outros que são do conhecimento geral.
E nos países africanos mais desenvolvidos a discriminação social entre os negros verifica-se também de maneira notória.
Daí, alguns milionários jogadores negros do futebol que, ultimamente, tem espoletado as questões do racismo por coisas perfeitamente banais, deviam olhar também para estes casos e não só ajudarem economicamente os seus irmãos de cor, como protestarem contra os países que praticam esses abusos.
Eram gestos muito mais louváveis e que nos merecia melhor atenção.
Juvenal Pereira