Orbán ordena reforço da segurança em centrais energéticas da Hungria por Kiev planear cortes
O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, ordenou hoje um reforço da segurança em instalações essenciais de infraestruturas energéticas, após alegar que a Ucrânia está a tentar causar perturbações no sistema energético da Hungria.
Budapeste acusou recentemente Kiev de suspender deliberadamente o fornecimento de petróleo russo através do oleoduto Druzhba, que atravessa o território ucraniano.
As autoridades ucranianas negaram as acusações, afirmando que o oleoduto, que abastece refinarias na Hungria e na Eslováquia, foi atingido num ataque de drones russo.
Nas últimas semanas, Orbán lançou uma agressiva campanha contra a Ucrânia antes das eleições de abril, provavelmente as mais difíceis que enfrentou nos seus 16 anos no poder.
Assim, classificou o país vizinho como uma grave ameaça à segurança da Hungria e a ele mesmo como o único garante da respetiva segurança.
Num vídeo publicado nas redes sociais, Orbán - que é, dos dirigentes da União Europeia (UE), aquele que mantém uma relação mais próxima com o Kremlin (presidência russa) - afirmou que o Governo ucraniano está a utilizar "um bloqueio petrolífero" para pressionar a Hungria e que os serviços de segurança nacionais húngaros demonstraram que a Ucrânia está a "preparar novas ações para perturbar o funcionamento do sistema energético húngaro".
Não forneceu, contudo, pormenores ou provas que fundamentassem tais alegações.
"Vamos destacar soldados e o equipamento necessário para repelir ataques perto de instalações energéticas essenciais", disse Orbán, acrescentando que também "a polícia fará patrulhas com efetivo reforçado em redor de determinadas centrais elétricas, estações de distribuição e centros de controlo".
Quase todos os países da Europa reduziram significativamente ou cessaram totalmente as importações de energia russa desde que Moscovo iniciou a guerra na Ucrânia invadindo o país, a 24 de fevereiro de 2022.
No entanto, a Hungria e a Eslováquia, ambas membros da UE e da NATO, mantiveram e até aumentaram os contratos de abastecimento de petróleo e gás russos e obtiveram uma isenção temporária da política do bloco europeu que proíbe a importação de petróleo russo.
No domingo, a Hungria ameaçou bloquear um empréstimo da UE de 90 mil milhões de euros a Kiev e na segunda-feira, vetou um novo pacote de sanções da Europa comunitária à Rússia.
Orbán prometeu que bloqueará quaisquer outras medidas da UE para ajudar a Ucrânia até que seja retomada a circulação de petróleo no oleoduto Druzhba, fora de funcionamento desde 27 de janeiro.
As reparações são perigosas e o oleoduto só pode operar de forma fiável se a Rússia parar de atacar as infraestruturas energéticas, de acordo com as autoridades ucranianas.
Hoje, Orbán ordenou também a proibição de operações com drones no condado de Szabolcs-Szatmár-Bereg, que faz fronteira com a Ucrânia.
O chefe do Governo húngaro tem repetidamente acusado a Ucrânia de "fazer chantagem" para o forçar a abandonar as suas posições anti-ucranianas e de tentar aumentar os preços da energia na Hungria, a apenas seis semanas das eleições gerais no país.
O ultranacionalista Viktor Orbán, que reassumiu em 2010 o cargo de primeiro-ministro, enfrenta o maior desafio ao seu poder nas eleições agendadas para 12 de abril.
A maioria das sondagens independentes coloca o líder há mais tempo no poder na UE e o seu partido de direita nacionalista conservadora, o Fidesz, atrás, por uma larga margem, de um adversário emergente de centro-direita, Péter Magyar.
O partido de Orbán tem propagado a mensagem de que, se perder as eleições, o Tisza, de Péter Magyar, arrastará a Hungria para a guerra na Ucrânia, levando o país à bancarrota e causando a morte dos seus jovens na linha da frente de batalha.