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Governo britânico pronto para divulgar documentos sobre o ex-príncipe André

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O Governo britânico afirmou hoje que está pronto para divulgar documentos relativos à nomeação do ex-príncipe André como enviado especial para o Comércio em 2001, horas após a detenção do ex-embaixador Peter Mandelson, também ligado ao caso Epstein.

O Governo apoiou uma moção apresentada pelo partido dos Liberais Democratas, exigindo a publicação de documentos relativos à nomeação de André como representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional, cargo que ocupou entre 2001 e 2011.

Com quatro dias de intervalo, André Mountbatten-Windsor e o ex-embaixador britânico nos Estados Unidos Peter Mandelson foram detidos por suspeitas de terem transmitido informações económicas sensíveis ao financeiro e criminoso sexual norte-americano Jeffrey Epstein.

"É o mínimo que devemos às vítimas dessas atrocidades, cometidas por Epstein e outros", declarou Chris Bryant, ministro de Estado do Comércio, perante os deputados.

No entanto, Bryant alertou que o Governo deve trabalhar com a polícia para garantir que "a investigação não seja comprometida".

Bryant descreveu o irmão do Rei, destituído de todos os seus títulos e expulso da residência real por Carlos III em outubro, como um "homem rude, arrogante, imbuído dos seus privilégios e incapaz de distinguir o interesse público do seu próprio interesse privado".

Ataques contra membros da família real são altamente incomuns no parlamento britânico.

Embora tenha repercussões globais, o caso Epstein é também "um escândalo profundamente britânico que atinge as mais altas esferas do 'establishment'", criticou Ed Davey, líder dos Liberais Democratas, afirmando querer "revelar a verdade sobre o papel" do ex-príncipe.

O Governo liderado pelo primeiro-ministro trabalhista Keir Starmer já se comprometeu no início de fevereiro, após a aprovação no parlamento de outra moção, a publicar documentos sobre a nomeação do antigo ministro trabalhista Peter Mandelson para o cargo de embaixador em Washington no final de 2024.

A ministra da Educação, Bridget Phillipson, confirmou hoje ao canal Sky News que uma primeira parte seria publicada no início de março, acrescentando também que era necessário garantir que nada "pudesse comprometer a investigação".

Parte dos documentos, potencialmente sensíveis para a segurança nacional, são previamente filtrados por uma comissão parlamentar, que tem liberdade para decidir se os torna públicos ou não.

O ex-príncipe, de 66 anos, foi detido na quinta-feira, dia do seu aniversário, por suspeita de má conduta em cargo público, depois de ter vindo a público que terá passado documentos governamentais confidenciais a Epstein.

Uma das investigações está a ser realizada pela polícia do Vale do Tamisa para saber se André Mountbatten-Windsor passou de facto documentos governamentais confidenciais a Epstein e confirmar a alegação de que uma mulher foi enviada em 2010 para o Reino Unido por Epstein para um encontro sexual com o ex-príncipe.

Também a polícia metropolitana de Londres está a liderar uma investigação criminal contra o ex-ministro Peter Mandelson, que foi afastado no ano passado do cargo de embaixador britânico nos Estados Unidos, por alegadamente ter divulgado informações governamentais confidenciais a Epstein.

Esta unidade investiga também as ações dos polícias responsáveis pela proteção do ex-príncipe.

Mandelson, que é também ex-comissário europeu, foi detido na segunda-feira sob suspeita de má conduta em cargo público.

A investigação está ligada a documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre Jeffrey Epstein, que contêm 'emails' e documentos financeiros relacionando Mandelson ao gestor de fundos norte-americano. 

Entre esses documentos, aparecem 'emails' que indicariam que Mandelson teria reencaminhado informações confidenciais e potencialmente capazes de influenciar os mercados financeiros ao amigo em 2009, quando era ministro da Economia.