Capitalismos
Um sistema capitalista, sem qualquer regulação do Estado, é uma máquina de fazer milionários (poucos) e trabalhadores descartáveis, caricaturando. Num país essencialmente capitalista, quando uma pessoa se torna prescindível ou desnecessária para a empresa, ou se a função que exerce (pode ser trabalhador por conta própria) deixa de ser útil ou passa a ser realizada por instrumentos mecânicos ou tecnológicos, que alternativas o capitalismo dá?
O mesmo sistema funciona porque a larga maioria das pessoas está disponível para trocar o seu tempo útil por trabalho. Por isso é justo que aufiram de um vencimento compatível com as funções e que garanta a sua dignidade.
Ter casa, depende do salário; ter acesso à Saúde de qualidade, também; ter acesso à alimentação depende da capacidade de comprar ou produzir, ter acesso à Educação depende de recursos próprios ou do Estado (se os facultar); ter hobbies e usufruir de atividades de bem-estar e entretenimento requerem algum dinheiro extra, também.
Se dependemos do posto de trabalho (se não formos os sortudos que não precisam de trabalhar para viver) e deixamos de o ter, é óbvio que ficamos muito preocupados, pois as nossas necessidades e compromissos não terminam de um momento para o outro.
Mas há ainda outras situações. Quando o emprego nos consome todo o tempo útil (por exploração ou por exigência da função) sem sermos pagos devidamente e sem nos dar margem para compensar com trabalho extra, que alternativas temos? Podemos mudar de emprego, certo. Mas num estado marcadamente capitalista, como os Estados Unidos, todos os empregos têm a mesma matriz: o trabalhador é uma peça útil para o funcionamento da empresa; quando deixa de ser útil, é descartado. E assim, passa-se uma vida sem garantias de estabilidade. Outra alternativa é emigrar. E quando falamos de sair de um país por razões funcionais para melhoria das nossas condições de vida, já é difícil. Imagine sair porque a alternativa é morrer de fome ou de violência.
Claro que nenhum Estado Democrático consegue assegurar o mesmo bem-estar social a todos por igual, porque não impõe padrões de vida a ninguém. As pessoas são livres de tomar opções perante as condições e ferramentas que o Estado disponibiliza ao cidadão. Mas, na minha conceção, um Estado de Direito Democrático, deve cuidar para que todos tenham oportunidades de vida em igualdade e para que isso aconteça, devem existir mecanismos que garantam a equidade, ou seja, que corrijam algumas condições de contexto.