BE diz que cancelamento da barragem de Girabolhos foi da exclusiva responsabilidade da Endesa
O Bloco de Esquerda (BE) de Coimbra garantiu hoje que o cancelamento da construção da Barragem de Girabolhos foi da exclusiva responsabilidade da Endesa e defendeu uma discussão séria sobre a complexa questão do Rio Mondego.
"O cancelamento da construção daquela barragem foi, isso sim, da exclusiva responsabilidade do seu promotor, ou seja, da Endesa", vincou.
Em comunicado enviado à agência Lusa, o BE de Coimbra referiu que o acordo de incidência parlamentar entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista, assinado em 2015, "nunca previu o cancelamento da construção da Barragem de Girabolhos".
"Esta matéria não fez parte de qualquer negociação entre estes partidos. Para comprovar este facto basta consultar o próprio documento, disponível em https://www.esquerda.net/dossier/acordo-para-virar-pagina-ao-ciclo-do-empobrecimento/39512", indicou.
O Governo anunciou, este mês, que iria lançar até ao final de março o concurso público para a construção e exploração da Barragem de Girabolhos.
Para os bloquistas, a apresentação da Barragem de Girabolhos "como solução milagrosa para as cheias" é "uma atitude oportunista, de certos setores da direita", perante o natural desespero e sofrimento das populações dos concelhos de Coimbra, Soure e Montemor--o-Velho.
"Foram ainda mais longe, responsabilizando o Bloco de Esquerda pela não concretização desta obra".
Na nota, o BE de Coimbra apontou ainda que votaram favoravelmente à conclusão do projeto hidroagrícola do Baixo Mondego, que, segundo os especialistas, "ajudaria a mitigar cheias como aquelas que se verificaram".
"É impossível não reparar que os partidos que apoiam o atual Governo, e os mesmos que promovem esta mentira, se opuseram muito recentemente à concretização do projeto hidroagrícola do Baixo Mondego. Com efeito, PSD, CDS e IL votaram contra a conclusão desse importante projeto na discussão do Orçamento do Estado de 2025. Projeto que, esse sim, contribuiria para o controlo de cheias".
Porque entendem que "a questão do Mondego é complexa", os bloquistas defendem "uma discussão séria", ouvindo especialistas, populações locais e associações e movimentos ambientalistas, para que "tragédias como esta nunca mais se repitam".
"O momento exige solidariedade para com as populações afetadas -- solidariedade essa que deve traduzir-se em responsabilidade política, apoios imediatos e cooperação para construir soluções estruturais e preventivas, capazes de reduzir o risco e proteger as comunidades no futuro".