A nova ordem económica global e o reposicionamento da União Europeia
A Região exportou pouco menos de 500 milhões de euros, registando um saldo positivo de cerca de 180 milhões
Após o acordo MERCOSUL, infelizmente atrasado pelo Parlamento Europeu, a UE continuou a sua estratégia de diversificação económica com diversos mercados externos, estabelecendo um novo acordo de comércio com a Índia, com o objetivo de duplicar as exportações europeias para o país até 2032.
Paralelamente a estas iniciativas, a União contraria anos de estagnação diplomática, tendo acordos perspetivados com Canadá, Austrália e diversos países do continente asiático.
Estas iniciativas têm tido a roupagem usual de diversificação de mercados, parcerias estratégicas e reforço da resiliência do mercado comum. No entanto, há uma parte importante que ninguém assume. Estamos todos a tentar descobrir como funcionarão as dinâmicas comerciais num futuro em que os Estados Unidos se afastam da ligação centenária com o mercado e os cidadãos europeus.
Estas iniciativas têm estado assentes em dois eixos estratégicos principais: a criação de parcerias estratégicas previstas na Global Gateway Initiative e a redução de barreiras às trocas comerciais operada através do Anti-Coercion Instrument. Estes novos esforços permitem diminuir a dependência de um único parceiro e aumentar a flexibilidade estratégica europeia.
A ideia não é eliminar o comércio existente com os EUA, até porque isso não seria possível nem desejável, mas sim aumentar as nossas possibilidades de resposta em caso de conflito comercial ou geopolítico.
Para a Madeira, estes desenvolvimentos podem trazer alguns benefícios. Em primeiro lugar, e de forma mais imediata, temos uma nova base de compras, seja de fontes energéticas alternativas, seja através de fornecedores mais competitivos de materiais de construção ou de novas entradas de capital.
No lado das exportações, apesar de não ser fácil concorrer em novos mercados, principalmente quando se abrem a 27 países europeus em simultâneo, foi notícia, este mês, que a RAM continua a crescer na sua relação com mercados estrangeiros, atingindo um novo máximo no saldo da balança comercial com o estrangeiro.
A Região exportou pouco menos de 500 milhões de euros, registando um saldo positivo de cerca de 180 milhões de euros, apresentando exportações com valores muito relevantes nos setores alimentares, químicos e vestuário. Apesar das limitações impostas pela insularidade da nossa Região, o produto certo no contexto certo permite criar uma oferta competitiva para novos mercados.
No entanto, existe aqui um potencial risco escondido, relacionado com o hábito da União de complexificar o que deve ser simples com uma carga burocrática e administrativa excessiva.
Esperemos que o acesso a estes novos mercados não seja acompanhado por um conjunto de normas regulatórias e obrigações de certificação. Esta carga administrativa pesa em qualquer organização, mas um tecido empresarial, na sua larga maioria, composto por PME, terá maiores dificuldades em ultrapassar estas barreiras do que outro com empresas de dimensão média superior.