Hong Kong regista em 2025 o menor número de nascimentos de sempre
A região chinesa de Hong Kong registou em 2025 cerca de 31.100 nascimentos, o número mais baixo de sempre, indicaram ontem dados preliminares do Departamento de Censos e Estatísticas.
O total de recém-nascidos em 2025 caiu 15,3% no ano passado, para o valor mais baixo desde que há registos, em 1961.
O número de nascimentos ficou também aquém do total de mortes em Hong Kong durante o ano passado: 50 mil.
Um porta-voz do Governo local desvalorizou a queda na natalidade e sublinhou que a população aumentou 0,1%, para 7,5 milhões de habitantes em 2025, de acordo com um comunicado.
As autoridades locais apontaram para "várias medidas de atração de talentos e importação de mão-de-obra que trouxeram pessoas para Hong Kong de outras partes do mundo para compensar o impacto do declínio natural da população".
O anterior mínimo histórico, 32.500 nascimentos, tinha sido fixado em 2022, altura em que Hong Kong vivia em plena pandemia da covid-19.
Em 2023, o Governo da região lançou um subsídio único de 20 mil dólares de Hong Kong (cerca de 2.150 euros) a novos pais, para incentivar as famílias a terem filhos, num programa com a duração de três anos.
O Executivo previu que o subsídio podia ajudar o número anual de nascimentos a atingir 39 mil, mais 20% do que em 2022. Mas o total de recém-nascidos ficou-se por 33.200 em 2023 e 36.700 em 2024.
Em setembro, o líder do Governo, John Lee Ka-chiu, anunciou que, a partir de 2026, a isenção fiscal de 130 mil dólares de Hong Kong (14 mil euros) para novos pais ia ser prolongada de um para dois anos após o nascimento.
No ano passado, também a vizinha região chinesa de Macau registou 2.871 recém-nascidos, o menor número em quase meio século, disse, em janeiro, o diretor substituto do hospital público da cidade, Tai Wa Hou.
Em 2024, Macau registou apenas 0,58 nascimentos por mulher, muito longe do valor necessário para a substituição de gerações (2,1), a menor taxa de fecundidade de sempre na região e a mais baixa do mundo, de acordo com dados oficiais.
Este valor é ainda mais baixo do que a estimativa feita num relatório, divulgado em julho, pelo Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas (UNDESA, na sigla em inglês): 0,68 nascimentos por mulher.
Apesar de mais otimista, a estimativa da UNDESA já indicava que Macau terá tido, em 2024, a mais baixa natalidade do mundo, a uma grande distância da segunda jurisdição na lista, Singapura, com 0,95 nascimentos por mulher.
Em 2025, a China continental registou 7,92 milhões de nascimentos, um novo recorde negativo desde o ano da fundação da República Popular da China, em 1949. A taxa de natalidade também caiu para mínimos históricos, com 5,63 por cada mil pessoas.
Em resultado, o número de habitantes da China, o segundo país mais populoso do mundo diminuiu em cerca de 3,39 milhões no ano passado, o quarto ano consecutivo de contração.