Uma grande vitória e uma derrota!

Na minha opinião, Portugal saiu a ganhar com a vitória de J. Seguro e também com a derrota de Ventura. A moderação triunfou sobre o radicalismo. Apesar de Ventura se autoproclamar líder da direita, os resultados eleitorais demonstraram que os portugueses não confiam nele para liderar nada; as recentes eleições autárquicas foram um claro indicativo disso mesmo. Sei que tudo pode acontecer, mas acredito que Ventura só chegará a primeiro-ministro se o PSD e o PS continuarem a trabalhar de costas voltadas. Luís Montenegro, por razões ainda a apurar, carrega a responsabilidade de ter facilitado o caminho para o sucesso do Chega.

No entanto, creio que, se o líder do PSD não corrigir a sua política errática, acabará ultrapassado por Ventura, mais tarde ou mais cedo.

Neste xadrez, o papel do recém-eleito Presidente António José Seguro será determinante. Ao resgatar a dignidade institucional e a serenidade, Seguro posiciona-se como o garante contra o radicalismo.

Para o PS, o caminho é claro: tem de insistir na moderação e numa maior intervenção política, de modo a travar o reforço do espaço de Ventura.

O futuro da estabilidade democrática em Portugal não depende apenas do insucesso dos extremos, mas da capacidade de renovação do centro. Se o PS e o PSD não conseguirem estabelecer pontas de diálogo em matérias de Estado, continuarão a alimentar o populismo que dizem combater com consequências graves para o país.

Carlos Oliveira