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Refletir o serviço de saúde

Com o objetivo de recolher, analisar e divulgar informação sobre os serviços saúde, a União Europeia em parceria com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, (OCDE), a Organização Mundial de Saúde para a Europa, (OMS) e o Observatório Europeu dos Sistemas e Políticas de Saúde, entre outras organizações, tem vindo a se dedicar nas últimas décadas ao Estado da Saúde na União Europeia (EU), produzindo relatórios e documentos que apoiem a tomada de decisão política consistente e baseada na evidência.

O projeto assenta em quatro etapas o relatório “Health at a Glance Europa” que oferece uma visão transversal e comparativa da saúde na Europa analisando indicadores de desempenho, fatores de risco e gastos, um outro que engloba por cada país Europeu os perfis de saúde o “Country Health Profile” que detalha as particularidades locais de cada país avaliando a eficácia, a acessibilidade e a resiliência de cada sistema de saúde, o “Synthesis Report” um documento que acompanha os perfis nacionais em saúde, e por último o “Policy Dialogues” cuja finalidade é possibilitar que as autoridades de cada país possam solicitar reuniões a peritos para divulgar e discutir resultados que na eventualidade permitam planear reformas nos serviços de saúde.

Com base nos relatórios mais recentes o país apresenta bons indicadores de saúde, apesar do serviço nacional de saúde estar sob uma forte pressão social e estrutural. Os últimos dados apresentam um país com uma esperança de vida acima da média da União Europeia cerca de 82,5 anos o que demonstra a eficácia do Serviço Nacional de Saúde na melhoria das condições de vida das pessoas, expondo uma realidade que importa rastrear, os anos vividos após os 65 anos, são os de menor qualidade em comparação com outros países europeus. Estima-se que 40% da população portuguesa após esta idade, viva sem incapacidades, onde cerca de 30% da população reporta limitações devido a problemas de saúde, e 42,3 % com mais de 16 anos vivenciam pelo menos uma doença crónica.

Persistem dificuldades e desigualdades no acesso aos cuidados, assim como elevados tempos de espera para as diversas valências. A saúde mental merece especial atenção pelos níveis de ansiedade e depressão que o país ostenta, dos mais elevados da União Europeia, dados recentes indicavam que 32% da população tem sintomas de ansiedade generalizada, condição que afeta desproporcionalmente o género feminino e as populações mais vulneráveis.

O país apresenta elevados níveis de obesidade e um consumo diário de bebidas alcoólicas dos mais elevados da União Europeia acarretando a longo prazo o aparecimento de doenças crónicas e a consequente sobrecarga dos serviços de saúde.

Outro indicador preocupante é a dificuldade em reter profissionais no setor da saúde, nomeadamente médicos e enfermeiros, o que afeta o regular funcionamento dos serviços, a qualidade e a capacidade de resposta. Num contexto cada vez mais exigente requer-se uma estratégia centralizada nos recursos humanos, que passa pela criação de modelos de trabalho mais atrativos com melhores salários e profícuas perspetivas de desenvolvimento profissional.