Macron afirma que "atentado terrorista racista" representa "ponto de viragem" em França
O Presidente francês afirmou que o "atentado terrorista racista" que hoje fez um morto e cinco feridos perto de Paris representa "um ponto de viragem no país", atribuindo-o ao "ambiente de instabilidade que certos discursos estão a criar".
"É um ponto de viragem, porque é a primeira vez no nosso país que se comete um ato terrorista planeado para matar os nossos compatriotas, as nossas crianças, apenas por causa da cor da sua pele ou da sua suposta religião", sustentou Emmanuel Macron, durante uma visita a Trappes, uma localidade a cerca de 30 quilómetros a sudoeste da capital francesa.
Macron salientou que o caráter racista do atentado, a principal linha de investigação apresentada pela Procuradoria Nacional Antiterrorismo (PNAT), assenta "no que o suspeito disse nas primeiras horas" após a detenção, ao "assumir o seu ato" como motivado pela "cor da pele" das vítimas.
Sem nomear qualquer partido, atribuiu tal comportamento "ao discurso que se está a instalar e a criar uma determinada atmosfera".
"Não cederemos a ideias que se instalam e que justificam este tipo de comportamento, ou que criam a atmosfera capaz de o justificar", afirmou Macron, acrescentando que França "nunca discrimina".
Aos habitantes do departamento de Yvelines, que conta com uma elevada percentagem de população de origem imigrante, enviou uma mensagem de solidariedade, pedindo que não se deixem intimidar por estes discursos nem por este tipo de atos.
"Vocês são franceses, são a juventude de França, e essa é a nossa sorte. Não baixem a cabeça; o país apoiar-vos-á", acrescentou Macron.
O chefe de Estado francês sublinhou que sempre combateu "o racismo que se instala no discurso público" e denunciou "um aumento da tensão" num país que sofreu "atentados que podem levar a estigmatizar religiões".
Uma pessoa morreu e cinco ficaram feridas, algumas delas com gravidade, entre as quais uma menina de 12 anos atingida por oito tiros, em Trappes, no departamento de Yvelines, a sudoeste da capital, quando um homem abriu fogo a partir de uma viatura, suspeitando-se que pretendia atingir imigrantes.
Foi um "atentado de conotação racista, provavelmente islamofóbica", acusou o presidente da Câmara de Trappes, Ali Rabeh.
A PNAT rapidamente tomou conta do caso: o organismo anunciou a abertura de um inquérito por "homicídio relacionado com uma ação terrorista, com a circunstância agravante de os atos terem sido cometidos em virtude da pertença --- real ou suposta --- a uma determinada raça, etnia, nação ou religião".
Após o atentado, o suspeito foi detido em Coignières (Yvelines), segundo fonte policial, que informou que o ataque ocorreu por volta das 10:30 locais (09:30 de Lisboa).
De acordo com outra fonte policial, o suspeito, colocado sob custódia policial, tem 39 anos, consta do registo de antecedentes judiciais (TAJ), mas é desconhecido dos serviços de informações territoriais.
A PNAT referiu que o suspeito ainda não foi interrogado e que, no veículo que utilizou para efetuar os disparos -- um Renault Clio -, foi encontrada uma metralhadora do tipo Sten e uma bomba de gás lacrimogéneo.
As buscas realizada à sua residência, situada em Plaisir, a poucos quilómetros do local do tiroteio, revelaram "a instalação de um dispositivo de armadilha no apartamento, com três botijas de gás e fios elétricos ligados a um temporizador", com o objetivo provável de que detonasse quando as forças de segurança chegassem ao local, explicou a PNAT.
No segundo comunicado divulgado sobre o ataque, a mesma entidade indicou que foi detido um familiar direto do suspeito, identificado como Kévin T., nascido em 1987 e que, embora não tenha antecedentes por radicalismo, tem quatro condenações anteriores, cujas penas já foram cumpridas.