Madeira regista maior quebra do país no número de casas vendidas
Transacções de habitação caíram 17,9% no 2.º trimestre de 2026, enquanto o preço mediano atingiu 2.816 euros por metro quadrado (+18,3%). Funchal e Ribeira Brava representam os extremos do mercado regional
A Região Autónoma da Madeira registou a maior quebra homóloga do número de transacções de alojamentos familiares no 2.º trimestre de 2026, com uma diminuição de 17,9%, num período em que o mercado habitacional nacional também perdeu dinamismo. Apesar da redução das vendas, os preços continuaram a aumentar (+18,3%), mantendo a Madeira entre as regiões mais caras do país, segundo as Estatísticas de Preços da Habitação ao Nível Local, divulgadas hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Entre Abril e Junho, o número de transacções na Madeira recuou a um ritmo quase duas vezes superior ao verificado no conjunto do território nacional, onde a diminuição foi de 9%. A Região Autónoma destacou-se assim pela maior contracção entre as 26 sub-regiões NUTS III, à frente da Área Metropolitana do Porto, que registou uma descida de 16,2%. Apenas quatro sub-regiões apresentaram aumentos homólogos nas vendas.
A quebra das transacções contrasta com a evolução dos preços, pois no mesmo período, o valor mediano dos alojamentos familiares vendidos na Madeira fixou-se em 2.816 euros por metro quadrado, acima dos 2.445 euros da mediana nacional. A Região Autónoma ocupou a quarta posição entre as sub-regiões com os preços mais elevados, atrás da Grande Lisboa, do Algarve e da Península de Setúbal, e à frente da Área Metropolitana do Porto.
Os dados, contudo, não permitem concluir isoladamente se a quebra das vendas resulta de menor procura, dificuldades de financiamento, falta de oferta adequada ou da incapacidade de muitas famílias para acompanhar os valores praticados. Quiçá essas, e outras, circunstâncias em conjunto.
O certo é que desde o 3.º trimestre de 2020 (429) que não se vendiam tão poucas casas na Madeira, situando-se neste 2.º trimestre de 2026 em 615 imóveis, 265 dos quais no Funchal, contra 639 no 1.º trimestre deste ano e 749 no trimestre homólogo de 2025. Dos dados do INE, que recuam ao 1.º trimestre de 2019, o período de 3 meses com mais vendas foi registado entre Outubro e Dezembro de 2024, com mais do dobro dos registados agora (1.244).
Funchal no topo, Ribeira Brava no extremo oposto
A análise municipal do INE, referente aos 12 meses terminados em Junho de 2026, identifica naturalmente o Funchal como o concelho madeirense com o preço mediano de venda mais elevado, enquanto a Ribeira Brava apresenta o valor mais baixo entre os municípios da Região Autónoma considerados na comparação.
A diferença entre estes dois concelhos ilustra a diversidade do mercado imobiliário regional. Embora os preços da Madeira, no seu conjunto, permaneçam acima da mediana nacional, os valores variam significativamente dentro do arquipélago, acompanhando as diferenças entre os mercados municipais.
No Funchal, a análise por tipologia revela igualmente disparidades expressivas. Nos 12 meses terminados em Junho, o preço mediano dos alojamentos T0 e T1 atingiu 3.828 euros por metro quadrado, enquanto nos imóveis com quatro ou mais quartos se fixou em 1.961 euros. A diferença de 1.867 euros por metro quadrado foi a mais elevada entre os 24 municípios portugueses com mais de 100 mil habitantes analisados pelo INE.
Esta diferença mostra que o preço mediano do mercado funchalense não é uniforme e varia substancialmente em função da tipologia dos imóveis transaccionados. Os valores referem-se, porém, a categorias distintas de habitação e não permitem, por si só, concluir que os imóveis maiores sejam necessariamente mais baratos quando comparados em condições equivalentes.
Menos negócios não significam casas mais acessíveis
No plano nacional, foram transaccionados 37.854 alojamentos familiares no 2.º trimestre, menos do que os 41.608 registados no período homólogo de 2025. Em simultâneo, o preço mediano nacional subiu 18,4%, para 2.445 euros por metro quadrado.
A Madeira acompanha a tendência de valorização dos imóveis, mas destaca-se pela intensidade da redução das vendas. A conjugação de menos transacções com preços elevados mantém sob pressão o acesso à habitação, num território onde o custo de aquisição constitui uma das principais preocupações das famílias.
Os dados do INE não permitem, por si só, determinar as causas da contracção regional nem antecipar se esta tendência se manterá nos próximos trimestres. Revelam, contudo, que, entre Abril e Junho, a Madeira registou a maior quebra homóloga das transacções de habitação do país, sem deixar de apresentar preços medianos superiores à média nacional. Isso pode ser o indício de uma nova fase no sector.