Montenegro assume que primeira responsabilidade política por falhas na saúde é sua
Luís Montenegro admitiu hoje que a responsabilidade política pela situação na saúde é primeiramente sua, em resposta a Rui Tavares, do Livre, que defendeu que a ministra da Saúde só se mantém por ser um "para-raios" para o primeiro-ministro.
"A responsabilidade política: a primeira é minha, com certeza. A responsabilidade política da administração é do Governo. É minha, é dos membros que eu escolho para estarem no Governo, de cada um que tem tarefas na administração e que colaboram ao nível da prestação de serviços", afirmou o primeiro-ministro, durante o debate quinzenal na Assembleia da República.
Luís Montenegro disse não entender o objetivo da pergunta de Rui Tavares, que interpelou o líder do executivo questionando-o sobre de quem era a responsabilidade política por não terem sido ativados protocolos e dezenas de ambulâncias estarem paradas devido à falta de macas.
"É atribuir-me a responsabilidade? Eu cá estou para assumir a responsabilidade toda. Sempre, toda. Eu e qualquer membro do Governo", reforçou.
"O objetivo é mesmo esse, que assuma a responsabilidade política. A ministra da Saúde só se mantém porque é o maior para-raios possível para o senhor primeiro-ministro, uma vez que já não resolve nada", contrapôs o porta-voz do Livre, já depois de Montenegro ter garantido que Ana Paula Martins vai continuar no Governo.
Rui Tavares disse ainda querer tirar o primeiro-ministro do "seu estado de negação".
"Este deve ser o único parlamento [...] em que não se fala da situação internacional, porque a sua governação consegue ser ainda mais caótica", defendeu o deputado do Livre, que tinha iniciado a sua intervenção lamentando as mortes de três pessoas esta semana depois de terem ligado para o INEM a pedir socorro e os meios não terem chegado a tempo.
O porta-voz do Livre prosseguiu alertando para os problemas existentes na habitação, acusando Montenegro de querer que os portugueses comprem casa e paguem renda "com mentalidade Ronaldo".
"Não há mentalidade Ronaldo que compre estas casas ou pague estas rendas", afirmou Tavares, aludindo à mensagem de Natal na qual o primeiro-ministro apelou a que o país adote uma mentalidade de superação, dando como exemplo o futebolista Cristiano Ronaldo.
O deputado perguntou se o líder do executivo estaria disposto a penalizar fiscalmente a compra a pronto de casas por "não contribuintes e não residentes".
"Vejo que vai aprovar a nossa proposta de, nesses casos, ter um aumento do IMT. [...] Sim, nós queremos uma mentalidade Ronaldo, que é a mentalidade de aproveitarmos o talento em Portugal, para sermos mais produtivos, mais competitivos e criarmos mais riqueza e para podermos, com essa riqueza, distribuí-la melhor", disse Montenegro.