O custo de vida
O salário médio na Madeira é 8% mais baixo do que no continente. Tal significa menos 1778€/ano. A bonificação no IRS permite apenas recompor 5,1% do vencimento (ou seja 1.055€/ano). Daqui resulta uma perda salarial de 723€/ano, mesmo após o diferencial fiscal, ou seja, quase menos meio mês de salário (-49% para ser exato).
A inflação agrava esta diferença (em 2024, foi de 3,3% na Madeira e a nível nacional 2,4%). Pelo que o salário médio real madeirense (com a diferença da inflação) é 8,7% inferior, ou seja, o valor real da perda é de 845€/ano (-57%).
Os dados que combinam a evolução dos salários e a inflação demonstram que nos últimos anos (2021 a 2024) o salário médio real madeirense não está a convergir com o país, apresentando até perdas.
Neste mesmo período, o crescimento real do PIB regional de 40% compara com uma evolução salarial real residual (0,7%).
Temos ainda crises de preços agravados na região, nomeadamente na habitação, em que o valor mediano da renda subiu 25% e o preço de compra de habitação familiar subiu 23,1%.
Compreende-se assim o que muitos madeirenses sentem na carteira. Daqui vem muito do sentimento de frustração e o crescimento potencial do protesto.
Os erros da governação PSD/CDS (a nível nacional e regional) agudizam esse mal-estar. As pessoas desejam uma alternativa, que tem de ser construída com uma racionalidade redistributiva, própria da verdadeira social-democracia/socialismo democrático.
Apostar num Salazar significaria regressar a um passado de pobreza, desigualdade e atraso económico e social. É o mesmo que acreditar que uma martelada cura uma perna partida (é a solução de quem só sabe martelar).
A responsabilidade de governar aumenta com as crises. O que temos pela frente é uma enorme obrigação, à qual não podemos falhar.