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Será que tudo serve para fazer demagogia?!

Neste arranque de 2026 e logo a 6 de janeiro, fomos surpreendidos – talvez ainda mais desapontados – por um Governo da República que, até então e conforme os últimos avanços positivos que vinha cumprindo no dossiê da Mobilidade, em resposta às nossas pretensões e legítimas aspirações, tinha revelado uma postura correta, atenta, dialogante e responsável para com a Região.

E fomos surpreendidos não só pela gravidade das alterações defendidas, como pela forma prepotente como essas mesmas alterações foram assumidas, publicamente, pelo Executivo de Luís Montenegro e avançaram, à nossa revelia, tornando evidente não só a sua falta de conhecimento da nossa realidade como, ainda mais lamentável, a sua incapacidade de respeitar os direitos de cidadãos que, sendo Ilhéus, são tão Portugueses como os demais.

Exige-se, assim e a 18 de fevereiro, na Assembleia da República, uma clarificação cabal de toda esta tremenda confusão e a necessidade de reverter, de forma inequívoca, a estrondosa burocracia e a lamentável e injusta discriminação que as medidas em causa visavam, num sistema que, pese embora todos os seus defeitos e ainda que reconhecendo e priorizando a sua necessidade de revisão, estava a funcionar.

Exige-se, igualmente, memória aos que prontamente uniram forças para levantar a voz da demagogia e a habitual narrativa que os faz ser oposição, como se os Madeirenses não soubessem que o PS, durante oito anos e quatro meses, enquanto poder na república, nada fez para rever este modelo - apesar dessa revisão estar expressamente prevista aquando da sua aprovação em 2015 e das insistências e das inúmeras propostas e iniciativas apresentadas, por nós, no parlamento nacional, que foram ignoradas – sendo, por isso mesmo, diretamente responsável por este resultado, preferindo alimentar o adiar das correções que eram fundamentais e que estavam claramente identificadas.

Exercício de memória igualmente exigível face à demagogia política que também se fez ecoar quanto à posição assumida, recentemente e pelo Governo Regional, relativamente à eventual futura venda do Hospital Dr. Nélio Mendonça, como se esta matéria fosse, de facto, uma novidade, em particular para o PS e seus aliados, quando é do conhecimento público que existe uma Resolução do Conselho de Ministros aprovada durante a vigência do Governo de António Costa que enquadra esta matéria e que é clara ao sublinhar que o eventual encaixe financeiro daí resultante contribuiria para a amortização da construção do novo Hospital. Nada está decidido nem tampouco será para decidir nesta fase, mas, deixando à margem a demagogia, é caso para perguntar onde estavam os Socialistas da Madeira que agora se apresentam contra medidas aprovadas por Governos nacionais liderados pelo seu Partido?

Assim como também será caso para perguntar o que pensam os candidatos à Presidência da República, nesta segunda volta, quando, no único debate realizado, foram incapazes de se lembrar, uma única vez, das Regiões Autónomas que fazem parte do País que se propõem a governar no seu expoente máximo. Também aqui, a demagogia de quem, por um lado, acha que afinal, está a candidatar-se à Primeiro-Ministro e, por outro, a de quem cala sem saber se consente ou não, é grave, num vazio impossível de ignorar quanto à forma como cada uma destas figuras tenciona olhar, tratar, refletir e contribuir para a defesa das Autonomias.

Talvez fosse importante – para não dizer urgente – deixar a retórica política de lado, a narrativa vazia e a demagogia histérica, que já cansa, para, de uma vez por todas, governar. Para, de uma vez por todas, assumir responsabilidades e defender os interesses da população, porque é assim que a política se cumpre, afastando a politiquice e o espetáculo para abrir espaço ao que realmente abona a favor de todos.

Esperemos que, ao contrário de janeiro, o mês de fevereiro traga boas surpresas, mais memória e menos populismo e manipulação.