DNOTICIAS.PT
Crónicas

O primeiro erro de Montenegro

Quem quer ser Representante da República? O leilão começou. Mas precisa apoiar Seguro

É o primeiro grande erro de Luís Montenegro. A primeira derrota com a sua assinatura. Não por ter decidido apoiar Luís Marques Mendes. Entre os candidatos era óbvia e obrigatória a escolha do social democrata. O erro, catastrófico, foi não antecipar este descalabro eleitoral e, sendo o maior partido português, ter ficado de fora da segunda volta e não ter candidato próprio para ganhar a Seguro.

Se a História se repete, Seguro irá demitir o governo de Montenegro à semelhança do feito por Jorge Sampaio a Pedro Santana Lopes. Que eu sei bem!

O que temos por diante é como haver uma fase final de campeonato do mundo de futebol e o Brasil não se qualificar.

Tenho vergonha! Não é admissível. Não sei que consequências terá no próximo futuro político português. Sejam quais forem, não se adivinham de boas perspectivas para a liderança política laranja.

Não sei quem andou a aconselhar o líder nacional do PSD. Gente boa e competente não foi.

Para além dessa escolha falhada, não houve campanha sequer. Foram cumpridos mínimos obrigatórios, tipo faz de conta, sem mobilização e interesse.

Não se elege alguém assim. Questiono a passividade dos mandatários e a dinâmica das estruturas do partido.

Nas eleições internas no PSD, Marques Mendes tentou a liderança quatro vezes. Fui seu mandatário regional em 2007, obtendo um recorde de votos superior a noventa por cento. Apenas superiorizada pelos resultados das candidaturas, a solo, de Alberto João.

Desta vez, não fui solicitado para qualquer campanha, evento ou apoio. Se foi assim com todos os militantes lamento. Não sou dos que ficam à espera, mas também não gosto de estar onde não sou chamado.

Tinha sido fácil encontrar candidato social democrata vencedor. Três exemplos: Pedro Passos Coelho, José Manuel Durão Barroso ou Leonor Beleza. Alguns mais, mesmo que sem militância activa.

Pior foi a situação criada ao PSD/Madeira e a Miguel Albuquerque. Sem qualquer escapatória com honra e sucesso. Não tinha alternativa que não fosse seguir o guião de Montenegro. Não lhe cabia inventar candidato do PSD/M nem apoiar um dos outros iluminados candidatos.

É a vida política! Algumas vezes não há como evitar perder.

Para piorar as coisas, os recentes e habituais contestatários internos no PSD Madeira, resolveram mais uma vez insultar a nossa inteligência apoiando candidatos “vampíricos” com o argumento do anti-sistema constitucional. Traíram a candidatura do seu partido ainda que avisados que as suas intenções não eram acolhidas pelo candidato que adotaram. Uma frustração para fim de linha.

O seu desprezo pelo partido é tal que, agora depois de derrotados nas suas escolhas absurdas e anti-autonomistas, até consideram ouvir as propostas autonómicas do socialista e do populista. Como se eles as tivessem! É sempre a arrasar. O ódio ao PSD.

Deixem de fazer mal ao PSD, já que tanto se gabam do o ter feito crescer. Não fundar, mas crescer.

E se nada foi feito nesta campanha, melhor é nada fazer nesta que se segue. Os artistas que se candidatam nada acrescentam à Autonomia. Como não acrescentavam os que já foram eliminados. Sem exceção alguma.

Em todos estes meses de delírio eleitoral, sem qualidade e pleno de absurdos indesculpáveis, ouvi uma única ideia que me agradou. Partiu de André Ventura que afirmou, em entrevista a este mesmo Diário, “até era capaz de pagar a dívida da Madeira”. Uma parceria do CHEGA com o PSD podia libertar da injusta dívida que pesa sobre a nossa realidade financeira, económica e social.

Que se lixe quem é o presidente em Belém - os nossos presidentes com afinidade política nunca nada resolveram da nossa vida como região Autónoma, insular e portuguesa - e aproveitemos a única proposta que pode mudar a nossa realidade e perspectiva de futuro. Ele que jure que a faz.

Enquanto estivermos manietados e sufocados pela dívida pública de cinco mil milhões de euros não vale a pena acreditar que algo de bom vem aí.

É fantochada querer mais Autonomia e mudança de sistema (o que é isso?) quando temos défice orçamental e não conseguimos realizar a despesa obrigatória para oferecer apoio social, pensões e salários dignos.

Quem quer ser Representante da República? Os saldos começaram

Diversos amigos acusam-me de nada perdoar ao CDS e a José Manuel Rodrigues.

O CDS na prática não existe. Serve para dar carreira política a José Manuel Rodrigues. Este vai falando em nome pessoal procurando um protagonismo que o partido não encontra. Não existe estratégia do CDS mas, simplesmente, o interesse pessoal do seu virtual líder. Um percurso que usa a figura simpática da Sara Madalena. À espera do fim.

José Manuel Rodrigues não está interessado em fazer um bloco político com o PSD na perspectiva da governação. Não! Apenas insiste no seu caminho, na procura da melhor cartada pessoal. Assim foi com o almirante Gouveia e Melo e agora, na segunda volta, falhado o primeiro golpe, volta-se para Seguro. Descaramento.

Quer ser Representante da República seja como for. Com qualquer presidente. Apoiar um socialista é, para Rodrigues, a menor das incoerências. O CDS não apoia qualquer candidato. O José Manuel, esse sim, precisa de um candidato. Que seja eleito. Nunca se acha órfão de qualquer solução. Falhou uma candidatura, não importa. Aposta noutra. Tanto melhor se for a mais previsível vencedora.

Conta com a cumplicidade corporativa dos ex-colegas jornalistas que lhe dão destaque de favor - ver dois destaques no Diário de domingo, com declarado elogio às mudanças de candidato. Será gozo?

As voltas que a velha guarda do CDS não estará a dar!

O CHEGA e André Ventura são tudo o que o CDS e Rodrigues sonharam ser. Por isso a sua frustração e o seu pior perigo imediato. Porque, logo a seguir, já nada importa. O quadro partidário será outro.

Mas tem concorrência. Outros, na RTP/M logo na noite eleitoral, deixaram a possibilidade de votarem no CHEGA, mas, um dia depois, pensando melhor, corrigiram a intenção. Afinal, José António Seguro pode trazer o ambicionado prémio. Cambalhotas. Foram vários no desespero de se colocarem na ”pole position”. Não seria razoável, depois de tão pesadas derrotas, também por sua responsabilidade, se reservarem a um recatado silêncio de elevação política e de carácter? A ambição é assim tão desmedida?

Já são todos admiradores de José António Seguro? Farão campanha por ele mesmo depois do dito a primeira volta, sobre o candidato socialista?

Tenho pena desta podridão política de muitos dos protagonistas. Não tenho essa escola. Tudo o que posso ser na vida tem o limite da coerência e credibilidade. Gostava que tudo fosse assim. Mas não é!