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Contra o Racismo marchar, marchar!

O racismo e a xenofobia estão enraizados nas sociedades colonialistas, tendo como expressão máxima a escravatura, passando por sistemas de segregação racial, como houve de forma generalizada, um pouco pelo mundo, e de forma institucionalizada na África do Sul, o apartheid, nos Estados Unidos da América ou na Índia, por exemplo.

Ora, muitos países europeus, tais como o Reino Unido, França, Espanha, Bélgica, Portugal, Países Baixos, Alemanha, Itália, colonizaram outros de forma forçada, impondo os seus regulamentos e as suas matrizes organizacionais aos povos colonizados. Ao longo dos séculos, esta relação de poder moldou, não só a dialética comportamental entre povos, como compôs uma matriz ideológica que não foi totalmente eliminada.

Os movimentos migratórios mais recentes, para a Europa, sobretudo a partir de 2015, criaram tensões, outrora silenciadas, entre as comunidades de acolhimento e os migrantes e fizeram ressurgir movimentos raciais proibidos, que difundem uma linguagem e postura xenófobas e alimentam o racismo no mundo.

Atenta aos movimentos sociais, a União Europeia tem discutido este tema no seu seio. A Comissão apresentou, em dezembro de 1995, uma comunicação sobre racismo, xenofobia e antissemitismo. A 29 de junho de 2000 publicou a Diretiva 2000/43/CE do Conselho, que aplica o princípio da igualdade de tratamento entre as pessoas, sem distinção de origem racial ou étnica.

Esta diretiva fundou um conjunto de iniciativas legislativas neste âmbito, entre elas o Plano de Ação de EU contra o Racismo 2020-2025. Apesar dos progressos na implementação de medidas contra o racismo, o último Eurobarómetro de 2025 revela um aumento do fenómeno na Europa. É também essa a perceção de 64% dos europeus sobre a discriminação baseada na etnia. O antissemitismo volta a surgir em força e os crimes de ódio contra muçulmanos aumentaram.

Entretanto, a Comissão Europeia adotou uma nova Estratégia da União Europeia contra o Racismo 2026-2030 que “visa combater todas as formas de racismo, incluindo o racismo contra negros, o anticiganismo, o antissemitismo, o racismo contra asiáticos e o ódio antimuçulmano”.

O discurso xenófobo não é um fenómeno recente, mas passou a estar normalizado na sociedade, a partir do momento em que foi usado como arma política e instrumento de manipulação das massas, através do medo do outro, na transformação de um grupo de pessoas numa entidade coletiva impessoal e conotada com o mal.

Medidas de combate ao racismo são muito importantes, mas a Europa não pode deixar de atender às razões que estão na origem da expansão do racismo, intervindo e ajudando os Estados-membros a criar condições de bem-estar e segurança para as suas populações.