2026. Escolher mudar
Estamos no início de um novo ano, um ano carregado de expectativas que trazem para uns, esperança e para outros, medo do imprevisível. Vivemos uma época muito difícil. A bipolarização cada vez mais acentuada cresceu na desorientação das políticas e dos políticos que nos têm servido nas últimas décadas. Por isto os extremos começaram a ganhar voz e lugar e têm vindo a atrair todos os que se sentiam desiludidos, revoltados, traídos por quem foram acreditando e elegendo para o comando dos seus países.
Agora o passado e o presente estão a colapsar. Não há um fio condutor que nos faça acreditar num trajeto sóbrio de esperança no respeito pela humanidade. Cada vez mais os interesses económicos anulam o lugar das pessoas, da sua história, dos seus valores e das suas crenças.
Luta-se por territórios até à destruição total, matam-se pessoas em massa e anulam-se civilizações apenas porque sim, sem que ninguém seja por isso responsabilizado. Este tipos de ações passaram a estar legitimadas.
É assim que entramos em 2026, com medo do que está para acontecer e o que poderemos fazer para salvaguardar a nossa saúde mental e continuar integrados na realidade, observadores, ativos e protegidos. Não podemos interferir nas grandes decisões, mas podemos e devemos ser proativos na forma como queremos integrar a realidade que nos vai sendo imposta.
A informação constante, orientada por todos os meios hoje disponíveis, é uma sobrecarga e um esforço emocional que pode e deve ser evitado. Não precisamos de ver e ouvir tudo o que nos querem dizer, temos capacidade para escolher, selecionar e mesmo anular informação. Precisamos de silêncio, de tempo para fazer o que gostamos, sem modelos impostos e pré-definidos. Cada um tem a capacidade e o direto de escolher o que quer, o que gosta e qual é o seu lugar de paz. O tempo para o nada é também uma opção de valor. É aqui que se vai tornando possível pensar em liberdade e com discernimento, construir ideias, planear ações.
Este aparente individualismo é protetor e necessário para conseguirmos sobreviver num tempo caótico e assim conseguir construir, em pequenas redes, lugares de mudança. Antes de mudar o mundo é preciso reforçar o valor das pessoas, o poder da saúde mental. Esse é um caminho que cada um de nós pode começar a fazer.