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Confrontos na Síria entre grupos curdos e árabes deslocaram "milhares de pessoas"

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Os recentes confrontos entre as Forças Democráticas Sírias (FDS), lideradas por curdos e grupos tribais árabes na província de Deir al-Zur, no leste da Síria, deslocaram "milhares de pessoas", afirmou hoje o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU (OCHA).

"Milhares de pessoas, na sua maioria mulheres, crianças e idosos, atravessaram o rio (Eufrates) para as zonas governamentais", declarou o OCHA, num relatório sobre a situação em Deir al-Zur.

O Eufrates divide a província de Deir al-Zur em duas e as FDS e os seus aliados controlam a margem leste do rio desde a derrota territorial do Estado Islâmico na Síria em 2019, enquanto o Exército sírio e as milícias iranianas que o apoiam dominam a margem oeste.

De acordo com o OCHA, 69 pessoas tinham sido mortas nos combates até 04 de setembro, mas o Observatório Sírio para os Direitos Humanos disse que pelo menos 90 pessoas tinham morrido até quarta-feira, quando as FDS assumiram o controlo de Thiban, o "último bastião" das tribos árabes na província.

"A situação humanitária nas zonas afetadas é terrível e centenas de pessoas sofrem de escassez de água, alimentos, leite em pó para bebés, medicamentos e fontes de energia", afirmou o OCHA, acrescentando que "vários feridos necessitam de retirada médica imediata".

As FDS prosseguiram hoje o processo de "varrimento" da zona em busca de combatentes, afirmando que o chefe da tribo Al Uqaydat, Ibrahim al Hafal, um dos clãs mais influentes da zona, atravessou o Eufrates.

Os confrontos eclodiram a 27 de agosto, depois de as FDS terem detido Ahmed al-Khabil, o líder do Conselho Militar de Deir al-Zur, um grupo de maioria árabe que era aliado da aliança curda, e de terem detido outros membros superiores da formação aliada na província vizinha de al-Hasakah.

Al Khabil foi acusado de contrabando de droga, manter contactos com o governo sírio e até de ter alegadamente desempenhado um papel no aumento da atividade jihadista na região, segundo a FDS.

No entanto, algumas tribos árabes de Deir al-Zur, que também se opõem ao governo de Damasco, afirmam que os curdos discriminam os clãs da província e acusam as FDS de monopolizarem as vastas reservas de petróleo da região.

Mas o FDS afirma que não se trata de um problema interno ou étnico e alega que grupos pró-Damasco se "infiltraram" para desestabilizar a província e enfraquecer a formação curda, bem como elementos do grupo terrorista Estado Islâmico.

O FDS é o principal aliado da coligação internacional liderada pelos EUA na luta contra o EI, que também manifestou preocupação com os confrontos internos e chegou a reunir-se com a aliança curda e outras tribos árabes para resolver o conflito.