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Representante da Palestina diz que esperava "palavras de empatia" de Marcelo

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Foto Lusa

O chefe da missão diplomática da Palestina em Portugal disse hoje que esperava "palavras de empatia" de Marcelo Rebelo de Sousa, quando se encontrou com o chefe de Estado português e manteve uma conversa sobre o conflito na região.

"Estava à espera palavras de empatia pelo Presidente da República, sobre os 10 mil palestinianos civis que foram mortos em Gaza, que não estavam de modo algum envolvidos no conflito", frisou Nabil Abuznaid, durante uma entrevista à estação RTP.

Nabil Abuznaid acrescentou que esperava manter uma conversa privada com Marcelo Rebelo de Sousa, mas os comentários do governante foram "feitos em frente às câmaras".

"Queria mesmo ouvir palavras de empatia, respeito o Presidente da República e senti que ele me ia dizer algo sobre a infelicidade dos civis palestinianos", insistiu, acrescentando que após o episódio não falou novamente com o chefe de Estado português.

Durante uma visita ao Bazar Diplomático, no Centro de Congressos de Lisboa, na sexta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa disse ao chefe da missão diplomática da Palestina em Portugal que alguns palestinianos "não deviam ter começado" esta guerra com Israel e aconselhou-os a serem moderados e pacíficos.

Quando Nabil Abuznaid invocou "a ocupação de 56 anos", o chefe de Estado respondeu: "Eu sei, mas não deviam ter começado".

No sábado, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou-se surpreendido com o "alarido" provocado pelas suas declarações.

"Nem percebo o alarido, não percebo. Foi o embaixador da Palestina que levantou a questão, não fui eu. Ele é que disse que a situação era muito complicada e deu as suas razões. No meu comentário, eu disse: atenção, é muito importante a moderação. E depois disse que foi pena que este caso tivesse nascido de um determinado lado", referiu Marcelo Rebelo de Sousa.

Já no domingo, em declarações aos jornalistas no meio de uma concentração a favor da Palestina, junto ao Palácio de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa reiterou que "a posição portuguesa é a mesma e será a mesma".

"Estamos e estaremos firmes, atrás do engenheiro Guterres e da posição que tem tomado, que é a posição das Nações Unidas, que votámos ainda agora na última resolução - em que houve 120 a favor, 47 abstenções e 14 votos contra apenas - em que muitos países da EU, mas Portugal sempre esteve ao lado da posição, que é: há direito a haver um Estado palestiniano", sublinhou.

O movimento islamita palestiniano Hamas realizou um ataque surpresa contra Israel em 07 de outubro, que fez mais de 1.400 mortos, na maioria civis, e cerca de 5.000 feridos, além dos mais de 200 reféns, de acordo com as autoridades israelitas.

A retaliação de Israel contra a Faixa de Gaza começou logo depois, com cortes do abastecimento de comida, água, eletricidade e combustível e bombardeamentos diários, seguidos de uma ofensiva terrestre que completou na quinta-feira passada o cerco à cidade de Gaza.

A guerra entre Israel e o Hamas, que hoje entrou no 31.º dia e continua a ameaçar alastrar a toda a região do Médio Oriente, fez até agora na Faixa de Gaza 10.022 mortos, entre os quais mais de 4.000 crianças, mais de 25.400 feridos e cerca de 1,5 milhões de deslocados, segundo o mais recente balanço das autoridades locais.