País

Confederação pede ao Governo que olhe mais para os meios locais e regionais

None

A Confederação Portuguesa de Meios de Comunicação Social (CPMCS) pediu hoje ao Governo que olhe mais para os media locais e regionais, tendo por base uma lógica de política industrial e não apenas de subsídios.

"O nosso pedido [de audiência] foi feito há algum tempo [em maio]. Pedimos mais atenção para este setor, mas já viram o tempo que demorámos a ser recebidos [...]. Venho pedir encarecidamente para que olhem para a comunicação social regional e local de forma mais apurada", afirmou o presidente da CPMCS, Luís Mendonça, na comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto.

Durante a sua intervenção inicial, Luís Mendonça recordou o papel dos meios locais no combate à desinformação ('fake news'), enquanto "fontes fidedignas" para muitos órgãos.

Pedro Braumann, que pertence à direção desta comissão, lembrou que, recentemente, a situação económico-financeira da comunicação social foi identificada num estudo da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).

No entanto, disse que esta análise não permite um detalhe por zona geográfica e que deve ser lida tendo em conta que a situação na comunicação social regional e local não é igual à dos outros meios.

"Para além da questão económico-financeira, como é que os meios regionais vão enfrentar os desafios futuros, como a digitalização?", questionou.

Para o setor, além de uma política de subsídios, faz falta uma "lógica de política industrial para verificar quais são os principais problemas no setor".

A comissão defende também que, à semelhança com o que aconteceu para o serviço público, seja criado um Livro Branco para a comunicação social local e regional.

Adicionalmente, mostrou-se preocupada com os mecanismos de controlo da publicidade institucional, com o serviço da Televisão Digital Terrestre (TDT), que ainda é utilizado, em primeira instância, em cerca de um quarto das residências primárias e secundárias, e com a transformação nos reguladores da comunicação social.

Em resposta aos deputados, Luís Mendonça alertou para o facto de muitos valores destinados aos meios locais e regionais ficarem "perdidos no caminho", sem que ninguém consiga resolver este problema.

"Até agora, não vimos soluções que possam vir a robustecer as nossas empresas de comunicação. Se forem mais robustas, não cedem tanto às pressões exteriores", vincou.

A publicidade institucional do Estado somou mais de 12,5 milhões de euros em 2021, dos quais quase um quarto (24,7%) foram destinados aos media regionais e locais, de acordo com um estudo da ERC.

O estudo "Análise Económica e Financeira ao Setor dos Media em Portugal no ano 2021" revelou ainda que existem mais de 1.720 publicações periódicas, 300 empresas jornalísticas e 149 programas distribuídos exclusivamente pela internet declarados como ativos na base de registos do regulador dos media.

Esta análise também concluiu que os ativos totais das empresas de comunicação social ascenderam a quase 1.120 milhões de euros em 2021, sendo que cerca de 65% destas tiveram resultados líquidos positivos.