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Organização não-governamental venezuelana diz que protestos aumentam 15% em Agosto

Foto EPA/Miguel Gutierrez
Foto EPA/Miguel Gutierrez

Um relatório do Observatório Venezuelano de Conflitos Sociais (OVCS) indicou que os protestos na Venezuela aumentaram 15% em agosto último, em relação a igual mês do ano passado, passando de 566 em 2021 para 667 em 2022.

"O OVCS registou 667 protestos durante o mês de agosto de 2022, equivalentes a 22 por dia. Este número representa um aumento de 15% em comparação com o mesmo período do ano passado", explica o relatório "Sobreviver com um salário mínimo de 16 dólares [cerca de 16 euros] por mês - conflitos sociais em agosto de 2022".

De acordo com a organização não-governamental (ONG) venezuelana, 590 protestos estiveram relacionados com direitos económicos, sociais, culturais e ambientais, equivalentes a 88% do total documentado, existindo registos de que 13 protestos foram reprimidos pelas autoridades e 17 pessoas foram detidas, acrescenta.

"A diminuição do poder de compra, a desvalorização do bolívar como moeda local, o elevado custo dos alimentos, medicamentos, produtos e serviços, caracteriza o contexto atual do país", explica.

Na altura da redação do relatório, "o Banco Central da Venezuela tinha publicado que a inflação de agosto foi de 8,2%, tornando impossível que os cidadãos cubram as suas necessidades e menos ainda poupar".

"Todo este conjunto de condições geraram protestos de residentes, trabalhadores, comerciantes e consumidores", sublinha.

O OVCS frisa ainda que "o descontentamento da população fez-se sentir mais fortemente nas zonas comerciais dos estados de Anzoátegui, Delta Amacuro e Bolívar (leste e sudeste de Caracas), onde se registaram manifestações e tentativas de pilhagem de lojas".

O relatório precisa que "por outro lado, os direitos civis e políticos estiveram na origem de 77 protestos em agosto, 12% do número total".

"Houve registos de ataques e detenções arbitrárias de representantes sindicais e de membros de partidos políticos, em alguns casos de dissidentes do governo. Adicionalmente, registaram-se protestos que denunciavam atrasos processuais" em tribunais, explica.

Segundo o OVCS, "mulheres e outros cidadãos também realizaram protestos para condenar a insegurança e para exigir justiça perante os altos índices de feminicídios".

Sobre a distribuição geográfica dos protestos, durante agosto passado, o relatório indica que o estado de Bolívar, com 100 manifestações, liderou o índice pelo quarto mês consecutivo.

O OVCS indicou que os venezuelanos protestaram ainda para reivindicar direitos laborais, exigir pensões dignas, contra a degradação dos serviços básicos e também pela libertação de "sindicalistas, ativistas políticos e defensores dos direitos humanos arbitrariamente detidos".

Houve ainda protestos contra o encerramento de estações de rádio e para denunciar "maus-tratos, torturas, atos de corrupção e abuso de poder de arte de funcionários dos organismos de segurança e de civis armados", enquanto produtores agrícolas denunciaram o contrabando de batata a partir da Colômbia.