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Doze capitais regionais do Brasil cancelam festas de 'réveillon' com receios da Ómicron

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O receio de que a estirpe Ómicron do vírus SARS-CoV-2 se espalhe pelo Brasil motivou o cancelamento das festas de 'réveillon' em doze capitais regionais do país, que registou oficialmente três casos da nova variante do coronavírus.

Quando parecia que o país estava a recuperar gradualmente a normalidade, a descoberta da nova variante, identificada pela primeira vez na África do Sul em 25 de novembro, voltou a colocar em alerta as autoridades regionais e municipais brasileiras.

Nos últimos dias, prefeitos de pelo menos 12 das 27 capitais do país, entre elas Salvador e Fortaleza, anunciaram o cancelamento dos eventos e 'shows' da noite de passagem do ano.

Esse efeito dominó começou antes mesmo de serem registados no território brasileiro os três casos de covid-19 provocados pela Ómicron, que também foram os primeiros na América Latina.

Dois infetados são um homem de 41 anos e uma mulher de 37 anos, missionários brasileiros que residem na África do Sul e que visitam seu país de origem. O casal chegou a São Paulo no dia 23 de novembro e testou positivo dois dias depois.

O terceiro caso foi confirmado hoje também em São Paulo num homem de 29 anos.

Além disso, pelo menos outros dois possíveis casos da estirpe Ómicron estão a ser investigados em Minas Gerais e no Distrito Federal, que também cancelou as comemorações de fim de ano.

Apesar das crescentes pressões, o Rio de Janeiro, onde antes da pandemia milhões de pessoas se reuniram nas praias icónicas para comemorar o final do ano, e São Paulo, a cidade mais populosa do país, segue com a ideia de comemorar o Ano Novo com festas.

"Até hoje, [a festa de fim de ano] permanece", disse o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, que acrescentou que se ocorrer o mínimo risco à saúde suspenderá os eventos programados para acontecer na popular Avenida Paulista.

O prefeito de câmara do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, afirmou hoje que os indicadores epidemiológicos mostram que a situação está sob controlo.

"Não vamos sair cancelando, não vou criar pânico na população (...) Eu vou seguir o que o comité científico determinar", disse Paes.

Por sua vez, o Governo central liderado pelo Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, suspendeu voos com África do Sul, Botswana, Eswatini, Lesoto, Namíbia e Zimbábue, mas recusou-se a estender essa lista a mais quatro países do continente africano conforme uma recomendação emitida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Toda esta incerteza ameaça o recuo da pandemia no Brasil, onde os números de vacinação têm ajudado a conter a covid-19.

Ao longo do mês de novembro, a média diária de mortes no Brasil ficou abaixo de 300, longe das mais de 3.000 vítimas mortais que o país registou em abril passado na pior fase da segunda vaga.

Quase 75% dos 213 milhões de brasileiros já tomaram a primeira dose das vacinas e 63% estão com a vacinação completa. Doses de reforço também começaram a ser aplicadas rapidamente.

Ao todo, o Brasil registou 614.681 mortes provocadas pela covid-19 e mais de 22 milhões de casos confirmados da doença.

A covid-19 provocou pelo menos 5.214.847 mortes em todo o mundo, entre mais de 262,26 milhões infeções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

A doença é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.

Uma nova variante, a Ómicron, foi recentemente detetada na África do Sul e, segundo a Organização Mundial da Saúde, o "elevado número de mutações" pode implicar uma maior infecciosidade.