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EUA e Rússia mantêm divergências sobre novo tratado nuclear

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Estados Unidos e Rússia concluíram hoje uma nova ronda de negociações para prolongar o tratado nuclear "Novo START" mantendo as divergências, mas mostrando sinais de vontade política para chegar a acordo.

O negociador norte-americano, Marshall Billingslea, disse à imprensa após a reunião que "há algumas áreas de convergência" entre os Estados Unidos e a Rússia, mas que ambos se mantêm "bastante afastados numa série de questões-chave".

Os Estados Unidos defendem que qualquer tratado de limitação de armas nucleares deve abranger todo o tipo de ogivas, incluir melhores protocolos de verificação e medidas de transparência e incluir a China, que está a aumentar o seu arsenal.

A China tem rejeitado participar nas negociações, o que só admite fazer se os Estados Unidos concordarem com o que chama "paridade nuclear" entre todos os países, e a Rússia defende que, se a China participar, o Reino Unido e França também devem ser incluídos.

O embaixador russo junto das organizações internacionais em Viena, Mikhail Ulianov, divulgou no Twitter uma mensagem do negociador russo segundo a qual, dada a "não-disposição" dos dois países europeus para integrar o novo tratado, os Estados Unidos e a Rússia "devem concentrar-se na via bilateral".

O Novo START foi assinado em 2010 pelo então Presidente norte-americano, Barack Obama, e o então Presidente russo, Dmitri Medvedev, e limita as armas nucleares estratégicas a um máximo de 1.550 ogivas nucleares e 700 sistemas balísticos para cada potência nuclear.

Depois de, em 2019, os Estados Unidos e a Rússia se terem retirado do tratado INF de 1987 sobre mísseis terrestres de médio alcance, o Novo START é o único tratado vigente entre as duas potências nucleares.

O Novo START expira em fevereiro de 2021 e os dois países negoceiam atualmente a sua extensão por cinco anos.

A Rússia propõe uma extensão sem condições, mas os Estados Unidos condicionam uma extensão a uma declaração política vinculativa prevendo alterações aos termos atuais do tratado, que consideram "profundamente imperfeito".

Segundo Billingslea, são necessárias alterações à troca de dados telemétricos -- gerados durante voos de teste de mísseis -- e à frequência e rapidez de deslocação de inspetores aos locais, entre outros aspetos.

O negociador norte-americano disse ainda que um acordo deve abranger todas as ogivas nucleares, incluindo as de curto alcance e táticas.

"Se resolvermos estes aspetos e se abrangermos todas as ogivas, e se o fizermos de uma forma que seja extensível à China, estaremos preparados", disse.

"Mais uma vez, é uma decisão do Presidente [Donald] Trump. Não vamos levar-lhe um mau acordo, mas recomendaremos que considere uma extensão do Novo START este ano", acrescentou.

Mikhail Ulianov escreveu no Twitter que o negociador russo, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Riabkov, reiterou nas negociações que a Rússia "não apresentou nenhuma condição prévia" para uma extensão.

"Ficámos com a impressão de que a opção de extensão do Tratado START não está fechada, mas os Estados Unidos hesitam em dizer 'sim' e têm algumas ideias adicionais sobre o que deve ser feito", escreveu Ulianov, citando Riabkov.

A Rússia quer uma extensão, escreveu, mas "não a qualquer preço".

No final desta terceira ronda, depois de uma em junho e outra em julho, não ficou marcada uma data para uma nova reunião, mas Billingslea disse que ela pode realizar-se já dentro de duas semanas.

"A bola está no campo da Rússia. Indicámos o que precisamos de ver", disse, acrescentando estar mandatado por Trump e esperar que, numa próxima reunião, "a delegação russa tenha o mesmo tipo de mandato".

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