As contradições da Igreja Católica
Todos sabemos que a Igreja católica discrimina a mulher considerando-a um ser inferior ao homem uma vez que impede a sua ascensão ao sacerdócio. A responsabilidade da Igreja pela violência sobre as mulheres radica nesta discriminação, injusta e intolerável, posição que leva o homem a considerar a mulher inferior tratando-a como se fosse sua propriedade. A cultura reinante, da submissão da mulher ao homem, é da responsabilidade da Igreja face à influência que teve e ainda tem (felizmente cada vez menos por culpa própria) na formação cultural da nossa comunidade. A única forma de a Igreja ajudar a resolver este tipo de violência assim como da pedofilia que grassa entre os seus membros é acabar com a discriminação existente entre o homem e a mulher dentro da própria instituição. Trata-se de uma medida imperativa que vai ao encontro do princípio da igualdade de todos os seres humanos perante Deus. Se fosse mulher jamais colocaria os pés dentro duma igreja que colocasse a mulher num patamar inferior ao do homem. Sabemos que Jesus teve apóstolos mulheres (Maria Madalena) facto que a Igreja contudo não reconhece renegando assim um dos exemplos de vida daquele que diz ser o seu mestre. Outro caso flagrante de incumprimento dos ensinamentos do seu mestre é o da Igreja ser proprietária de um banco que faz o branqueamento de dinheiro, de organizações pouco respeitáveis, quando o próprio Jesus das poucas vezes que se enfureceu, segundo a Bíblia, foi quando constatou a realização de negócios dentro e nos arredores do templo que ele considerava ser a casa do seu Pai. Sabemos que o celibato não foi determinado por Jesus visto que ele tinha apóstolos que eram casados. Aliás naquela época, na Judeia, homem que não fosse casado não gozava de qualquer crédito junto das pessoas pelo que Jesus certamente também o foi embora tal seja negado pela Igreja como se isso fosse um grande pecado. O celibato foi imposto aos padres por um motivo meramente económico por forma a impedir que os bens cedidos à Igreja pelos fiéis saíssem da instituição através dos filhos daqueles. Enfim mentiras e mais mentiras que deviam ser banidas de uma instituição que pretende ser representante de Deus na terra. O próprio Papa João Paulo II mandou os padres divulgar nas igrejas (a maior parte deles não o fez) um pedido de perdão da instituição pelos cinco grandes pecados cometidos pela mesma ao longo da sua existência sem contudo os identificar, mas que julgo ser: o apoio à escravatura bem como a sua prática nas suas propriedades de produção de açúcar nas Caraíbas; as Cruzadas (guerra contra os árabes que vitimou milhares de infiéis e permitiu grandes saques das suas riquezas) com a desculpa da defesa da Terra Santa que afinal pertence não só aos cristãos mas também aos muçulmanos e judeus; a Inquisição que matou milhares de pessoas devido à intolerância da Igreja para com aqueles que não eram cristãos; a indiferença da Igreja perante o extermínio de milhões de pessoas, sobretudo judeus, nos campos de concentração nazis tendo perfeito conhecimento do que estava a acontecer e finalmente a pedofilia situação bem atual que parece não vai ser resolvida a contento do atual Papa porque parte da cúpula da Igreja está enterrada até ao pescoço nessa pouca vergonha, que é o abuso sexual de crianças, e da qual parece não querer sair. Mas o pior pecado, mãe de todos os outros, é a acumulação da riqueza condenada por Jesus, de forma muito firme, quando impôs como condição a um rico que queria fazer parte do seu grupo: “vende tudo o que tens e dá aos pobres”. A não repartição da riqueza por todos é portanto, segundo Jesus, o maior pecado da humanidade. A Igreja contudo não lhe atribui grande importância, porque também acumula, o que constitui além de pecado grave por não respeitar os ensinamentos de Jesus uma enorme irresponsabilidade dadas as consequências extremamente negativas que daí advém como seja as guerras cuja única finalidade é a apropriação de riquezas, a miséria e a fome à escala global. É do conhecimento geral que 100 pessoas deste planeta detêm 82% da riqueza do mesmo, que no Brasil 60% da riqueza se encontra concentrada na mão de 6 pessoas e por aí adiante. A solução não é a caridade, como propõe em alternativa a Igreja, mas a justa repartição da riqueza tal como resulta da exigência de Jesus ao rico. Este é o seu maior mandamento, o paradigma do seu pensamento, que contudo não merece a devida atenção e respeito por parte da Igreja que diz ser seu representante na Terra.